Vezes que remonta

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[Tradução] Os Outros confundiram Waymar Royce com um Stark

2020.07.25 05:31 altovaliriano [Tradução] Os Outros confundiram Waymar Royce com um Stark

Texto original: https://www.reddit.com/asoiaf/comments/9qvrsy/spoilers_extended_the_killing_of_a_range
Autor: u/JoeMagician
Título original: The Killing of a Ranger
[…] Esta é a versão reescrita da minha teoria de 2015, A Cold Death in the Snow: The Killing of a Ranger, com algumas seções novas e conclusões mais bem explicadas, além de um bom e velho tinfoil. E significativamente menos citações, adequações nos spoilers e menos texto em negrito. Eu queria fazer um vídeo da teoria e não estava satisfeito com a versão original, então aqui está uma versão nova e aprimorada como um bônus.
O vídeo completo está aqui, se você preferir assistir, e a versão em podcast aqui, se você preferir ouvir, bem como pode ser encontrada no Google Play e no iTunes.
Aproveite!

Os Três Patrulheiros

Um dos eventos menos compreendidos em ASOIAF acontece exatamente no capítulo de abertura da saga. Waymar Royce, um fidalgo do Vale, e os dois patrulhieros Will e Gared estão perseguindo selvagens saqueadores na Floresta Assombrada. Antes que possamos nos localizar, Waymar é emboscado pelos demônios de gelo conhecidos como Os Outros. Waymar pronuncia sua famosa e incrivelmente foda frase "Dance comigo, então" e começa o duelo. Waymar segura as pontas até que o Outro acerta um golpe, depois zomba do patrulheiro e, finalmente, a espada de Wamyar se quebra contra a lâmina de gelo. Um fragmento perfura o olho de Waymar e o grupo de Outros que se aproxima, cerca-o e mata-o com golpes coordenados. Para piorar, Waymar é reanimado como uma criatura e massacra seu ex-companheiro Will. O outro irmão deles, Gared, escapa do ataque e foge para o Sul até ser capturado em uma fortaleza perto de Winterfell e executado por Ned Stark em razão de ter desertado da Patrulha.
É um prólogo que deixa o leitor com muitas perguntas não respondidas sobre o que acabou de ler. Por que esses patrulheiros foram atacados e por tantos outros? Onde estavam seus servos mortos-vivos que eles normalmente usam para matar? E por que eles estavam duelando com Waymar Royce em particular, um guarda de nenhuma nota em particular em sua primeira missão? Primeiro, vejamos o histórico de Waymar.
Sor Waymar Royce era o filho mais novo de uma Casa antiga com herdeiros demais. Era um jovem atraente de dezoito anos, olhos cinzentos, elegante e esbelto como uma faca. Montado em seu enorme corcel de batalha negro, o cavaleiro elevava-se bem acima de Will e Gared, montadosem seus garranos de menores dimensões. Trajava botas negras de couro, calças negras de lã, luvas negras de pele de toupeira e uma cintilante cota de malha negra e flexível por cima de várias camadas de lã negra e couro fervido. Sor Waymar era um Irmão Juramentado da Patrulha da Noite havia menos de meio ano, mas ninguém poderia dizer que não se preparara para a sua vocação. Pelo menos no que dizia respeito ao guarda-roupa.
(AGOT, Prólogo)
Segundo as informações que recebemos, Waymar foi o terceiro filho do formidável "Bronze" Yohn Royce, lorde de Pedrarruna e da casa Royce. Ninguém sabe ao certo por que Waymar escolheu se juntar à Patrulha. Sendo filho de um Senhor, ele poderia se casar em uma Casa menor e obter suas próprias propriedades, tornar-se um cavaleiro de torneios, visitar Essos e lutar como um mercenário se quisesse. Poderia fazer quase tudo. Em vez disso, escolheu se juntar à Patrulha da Noite. E Waymar é muito bonito, Sansa Stark se apaixonou por ele à primeira vista:
Foi hóspede em Winterfell quando o filho foi para o Norte vestir o negro – tinha uma tênue lembrança de ter se apaixonado perdidamente por Sor Waymar.
(AFFC, Alayne I)
Gared e Will são um pouco menos ilustres. Will é um caçador furtivo apanhado por Lord Mallister e escolheu a Muralha em vez de perder a mão. Gared ingressou na Patrulha quando menino e é patrulheiro há quarenta anos. Senhor comandante Mormont fala muito bem deles.
Mormont pareceu quase não ouvi-lo. O velho aquecia as mãos no fogo.
Enviei Benjen Stark em busca do filho de Yohn Royce, perdido em sua primeira patrulha. O rapaz Royce estava verde como a grama de verão, mas insistiu na honra de seu próprio comando, dizendo que lhe era devido enquanto cavaleiro. Não desejei ofender o senhor seu pai e cedi. Enviei-o com dois homens que considerava dos melhores que temos na Patrulha. Mas fui tolo.
(AGOT Tyrion III)

A Missão

Agora que estamos mais familiarizados com esses patrulheiros, vamos abordar a explicação mais simples: que foi um encontro acidental entre os Outros e os patrulheiros. Talvez os Outros estivessem viajando pela floresta para se encontrar com Craster e acidentalmente encontraram três patrulheiros. Faz sentido. Os Outros e os patrulheiros são inimigos históricos. No entanto, existem grandes problemas nisso. O primeiro é quando Royce e companhia alcançam suas presas, os saqueadores já foram transformados em criaturas.
Prestou atenção à posição dos corpos?
Will encolheu os ombros.
Um par deles está sentado junto ao rochedo. A maioria está no chão. Parecem caídos.
Ou adormecidos – sugeriu Royce.
Caídos – insistiu Will. – Há uma mulher numa árvore de pau-ferro, meio escondida entre os galhos. Uma olhos-longos – ele abriu um tênue sorriso. – Assegurei-me de que não conseguiria me ver. Quando me aproximei, notei que ela também não se movia – e sacudiu-se por um estremecimento involuntário.
Está com frio? – perguntou Royce.
Um pouco – murmurou Will. – É o vento, senhor.
O jovem cavaleiro virou-se para seu grisalho homem de armas. Folhas pesadas de geada suspiravam ao passar por eles, e o corcel de batalha movia-se de forma inquieta.
Que lhe parece que possa ter matado aqueles homens, Gared? – perguntou Sor Waymar com ar casual, arrumando o longo manto de zibelina.
Foi o frio – disse Gared com uma certeza férrea. – Vi homens congelar no inverno passado e no outro antes desse, quando eu era pequeno.
Waymar, porém, percebe algo errado na avaliação de Gared. Está quente demais para a estação, tanto que o Muralha está derretendo ou "chorando".
Se Gared diz que foi o frio… – começou Will.
Você fez alguma vigia nesta última semana, Will?
Sim, senhor – nunca havia uma semana em que ele não fizesse uma maldita dúzia de vigias.
Aonde o homem queria chegar?
E em que estado encontrou a Muralha?
Úmida – Will respondeu, franzindo a sobrancelha. Agora que o nobre o fizera notar, via os fatos com clareza. – Eles não podem ter congelado. Se a Muralha está úmida, não podem. O frio não é suficiente.
Royce assentiu.
Rapaz esperto. Tivemos alguns frios passageiros na semana passada, e uma rápida nevasca de vez em quando, mas com certeza não houve nenhum frio suficientemente forte para matar oito homens adultos.
Os saqueadores morrem congelados com o tempo quente demais. Como leitores, sabemos que os Outros têm controle sobrenatural sobre o frio, indicando que eles são os assassinos. E então, quando Waymar e Will voltam, descobrem que os corpos desapareceram.
O coração parou em seu peito. Por um momento, não se atreveu a respirar. O luar brilhava acima da clareira, sobre as cinzas no buraco da fogueira, sobre o abrigo coberto de neve, sobre o grande rochedo e sobre o pequeno riacho meio congelado. Tudo estava como estivera algumas horas antes.
Eles não estavam lá. Todos os corpos tinham desaparecido.

A Armadilha

O curioso Waymar morde a isca e a armadilha foi ativada. Will, de seu ponto estratégico em cima de uma árvore, vê seus predadores desconhecidos emergirem da floresta. (AGOT, Prólogo)
Uma sombra emergiu da escuridão da floresta. Parou na frente de Royce. Era alta, descarnada e dura como ossos velhos, com uma carne pálida como leite. Sua armadura parecia mudar de cor quando se movia; aqui era tão branca como neve recém-caída, ali, negra como uma sombra, por todo o lado salpicada com o escuro cinza-esverdeado das árvores. Os padrões corriam como o luar na água a cada passo que dava.
Will ouviu a exalação sair de Sor Waymar Royce num longo silvo. [...]
Emergiram em silêncio, das sombras, gêmeos do primeiro. Três… quatro… cinco… Sor Waymar talvez tivesse sentido o frio que vinha com eles, mas não chegou a vê-los, não chegou a ouvi-los. Will tinha de chamá-lo. Era seu dever. E sua morte, se o fizesse. Estremeceu, abraçou a árvore e manteve o silêncio.
Os Outros armaram uma armadilha para esses patrulheiros e a puseram em ação, não foi um encontro casual. Eles estão apenas tentando matar todos os membros da Patrulha da Noite que puderem? Eu não acredito nisso. Will e Waymar são mortos na Floresta Assombrada, mas o terceiro corvo, Gared, consegue escapar dos Outros. Ele corre para o sul até ser pego pelos Starks e decapitado por Lorde Eddard por deserção.
Há seis Outros não feridos, camuflados e ansiosos para matar ali mesmo com ao menos dez criaturas (incluindo Waymar e Will) e eles deixam de perseguir Gared. Matá-lo seria fácil e rápido, e ainda assim eles não o fazem. Isso não aconteceria se eles estivesse apenas tentando empilhar corpos de patrulheiros.

Claro que Craster está envolvido

A única conclusão que resta é que todo o cenário não era uma armadilha para três homens da Patrulha da Noite, e sim uma armadilha para um patrulheiro em particular: Waymar Royce. Ele é escolhido pelos Outros para um duelo individual por sua vida. Mas por quê? Waymar não é nada de especial na Patrulha. Enquanto isso, Gared e Will são veteranos nas terras além da Muralha. Eles seriam os maiores prêmios, taticamente falando. Como os Outros sequer poderiam saber como procurar por Waymar?
Me perdoará por isso, se tiver lido minhas outras teorias, mas mais uma vez, a resposta é Craster. Waymar, Will e Gared passaram pelo menos uma noite na fortaleza de Craster enquanto rastreavam os selvagens saqueadores.
Lorde Mormont disse:
Ben andava à procura de Sor Waymar Royce, que tinha desaparecido com Gared e o jovem Will.
Sim, desses três me lembro. O fidalgo não era mais velho do que um destes cachorros. Orgulhoso demais para dormir debaixo do meu teto, aquele, com seu manto de zibelina e aço negro. Ainda assim, minhas mulheres ficaram de olho grande – olhou de soslaio a mais próxima das mulheres. – Gared disse que iam caçar salteadores. Eu lhe disse que com um comandante assim tão verde era melhor que não os pegassem. Gared não era mau para um corvo.
(ACOK Jon III)
Observa-se aqui que Craster só fala sobre Gared e Waymar, não sobre Will. E Will é um patrulheiro veterano, alguém que Craster provavelmente já conheceria, mas é deixado de fora. Craster lembra Waymar com riqueza de detalhes, concentrando-se em suas roupas finas e boa aparência. Craster se concentrou muito em Waymar, mas quando perguntado sobre para onde os patrulheiros estavam indo quando partiram, Craster responde (ACOK Jon III):
Quando Sor Waymar partiu, para onde se dirigiu?
Craster encolheu os ombros:
Acontece que tenho mais que fazer do que tratar das idas e vindas dos corvos.
Craster não tem coisas melhores para fazer, seus dias giram em torno de ficar bêbado e ser um humano terrível para com suas "esposas". E ele se contradiz, alegando não ter interesse nos patrulheiros ao mesmo tempo que discorre em detalhes sobre Royce. Dado o relacionamento muito próximo de Craster com os Outros (organizando um acordo em que ele dá seus filhos em troca de proteção), esse encontro casual foi o que deu início à cadeia de eventos que levaram à morte de Waymar. Craster viu algo importante em Waymar Royce, algo em que os Outros prestaram muita atenção e agiram de maneira dramática.

A aparência de um Stark

Vamos analisar rapidamente o que Craster poderia ter aprendido. Com suas próprias palavras, ele percebe que Waymar é de alto nascimento. Não é uma informação particularmente valiosa, existem muitos patrulheiros e membros da Patrulha bem nascidos e os Outros não criaram armadilhas individuais para eles até onde sabemos.
Ele poderia ter ficado sabendo que Waymar era da Casa Royce e do Vale. Não há outros homens dos Royces na Patrulha, mas há outro patrulheiro chamado Tim Stone, do Vale. Tim sobrevive à Grande Patrulha e ainda está vivo no final do Festim dos Corvos, então essa parece uma explicação improvável. Talvez ser Royce tenha feito os Outros ficarem atentos. Os Royces tem sangue de Primeiros Homens, uma casa antiga que remonta às brumas da história. Talvez algum tipo de rancor?
Existe algo em seu comportamento? Waymar é altivo e autoconfiante, repele as pessoas com uma atitude de superioridade. Isso aborreceu Craster, mas duvido que os Outros chegariam em força para acalmar um leve aborrecimento do gerente de fábrica de bebês. O quanto eles demonstram interesse em Waymar implica que o que Craster disse a eles foi uma informação suculenta e importante que o atraiu de forma intensa. O que nos resta é a aparência de Waymar (AGOT, Prólogo):
Era um jovem atraente de dezoito anos, olhos cinzentos, elegante e esbelto como uma faca.
Olhos cinzentos, esbeltos, graciosos. Esta é uma descrição que é usada apenas um capítulo depois com um personagem muito famoso (AGOT, Bran I):
Podia-se ver em seus olhos, Stark – os de Jon eram de um cinza tão escuro que pareciam quase negros, mas pouco havia que não vissem. Tinha a mesma idade que Robb, mas os dois não eram parecidos. Jon era esguio e escuro, enquanto Robb era musculoso e claro; este era gracioso e ligeiro; seu meio-irmão, forte e rápido.
Waymar se parece com Jon Snow. Os outros membros conhecidos da Casa Royce que não ficaram grisalhos (Myranda Royce e seus "espessos cachos cor de avelã" e Albar Royce e seus "ferozes suíças negras") têm cabelo preto ou marrom. É lógico que Waymar tambémteria dada a predominância de cabelos escuros nas famílias. A arte oficial dos fundos dos calendários confirma isso, com GRRM aprovando os cabelos pretos de Waymar. Mas Craster não conhece Jon Snow no momento, então por que a comparação importa? A resposta vem da primeira interação de Craster com Jon Snow (ACOK, Jon III):
Quem é este aí? – Craster perguntou, antes que Jon pudesse se afastar. – Tem o ar dos Stark.
É o meu intendente e escudeiro, Jon Snow.
Quer dizer então que é um bastardo? – Craster olhou Jon de cima a baixo. – Se um homem quer se deitar com uma mulher, parece que a devia tomar como esposa. É o que eu faço – enxotou Jon com um gesto. – Bom, corre a cuidar do seu serviço, bastardo, e vê se esse machado está bom e afiado, que não tenho serventia para aço cego.
Craster de relance reconhece Jon corretamente como tendo a aparência de um Stark. Ele não fala isso de novo com mais ninguém que conhece nos capítulos que aparece, ninguém menciona isso depois, é a única vez que Craster diz que alguém se parece com uma família em particular. Ele sabe que aparência os Starks devem ter, e isso é confirmado por outros personagens. Uma de suas características definidoras, mencionadas muitas vezes, são os olhos cinzentos.
Catelyn lembrando Brandon Stark (AGOT, Catelyn VII):
E seu prometido a olhou com os frios olhos cinzentos de um Stark e lhe prometeu poupar a vida do rapaz que a amava.
Jaime Lannister lembrando Ned Stark na época da rebelião (ASOS, Jaime VI):
Lembrou-se de Eddard Stark, percorrendo a cavalo todo o comprimento da sala do trono de Aerys, envolto em silêncio. Só seus olhos tinham falado; olhos de senhor, frios, cinzentos e cheios de julgamento.
Theon lembrando qual deveria ser a aparência de Arya. (ADWD, Fedor II)
Arya tinha os olhos do pai, os olhos cinzentos dos Stark. Uma garota da idade dela podia deixar o cabelo crescer, adicionar uns centímetros à altura, ver os seios aumentarem, mas não podia mudar a cor dos olhos.
Tyrion Lannister reconhece Jon como tendo a aparência Stark também (AGOT, Tyrion II):
O rapaz absorveu tudo aquilo em silêncio. Possuía o rosto dos Stark, mesmo que não tivesse o nome: comprido, solene, reservado, um rosto que nada revelava.
Pelo reconhecimento correto de Craster e dos monólogos internos de Tyrion e Catelyn, parecer um verdadeiro "Stark" significa que você deve ter olhos cinzentos, cabelos castanhos escuros ou pretos e um rosto longo e solene. Waymar Royce tem três destas quatro características. No entanto ele poderia ter todas, se você considerar o rosto de seu pai um indicativo do aspecto do rosto de Waymar (AFFC, Alayne I):
Os últimos a chegar foram os Royce, Lorde Nestor e Bronze Yohn. O Senhor de Pedrarruna era tão alto quanto Cão de Caça. Embora tivesse cabelos grisalhos e rugas no rosto, Lorde Yohn ainda parecia poder quebrar a maior parte dos homens mais novos como se fossem gravetos nas suas enormes mãos nodosas. Seu rosto vincado e solene trouxe de volta todas as memórias de Sansa do tempo que passara em Winterfell.
O mesmo rosto solene que você procuraria em um Stark. Seu rosto até a lembra de Winterfell e, presumivelmente, de seu pai. Acredito que foi isso que Craster viu em Waymar e que ele alertou os Outros a respeito. Ele tinha visto alguém que se parece muito com um Stark, de alto nascimento e jovem. Isso se encaixa em um perfil importante para os Outros, pois eles entram em ação, preparando sua armadilha para Waymar. Infelizmente, Waymar não é um Stark de verdade, mas ele parece próximo o suficiente para enganar Craster e os Outros.

O Royce na Pele de Lobo

No entanto, Craster não está totalmente errado sobre Waymar ser parecido com um Stark. Os Starks e Royces se casaram recentemente. Beron Stark, tetravô de Jon, casou-se com Lorra Royce. E sua neta, Jocelyn Stark, filha de William Stark e Melantha Blackwood, casou-se com Benedict Royce, dos Royces dos Portões da Lua. Via Catelyn descobrimos onde no Vale seus filhos se casaram:
O pai do seu pai não tinha irmãos, mas o pai dele tinha uma irmã que se casou com um filho mais novo de Lorde Raymar Royce, do ramo menor da casa. Eles tiveram três filhas, todas as quais casaram com fidalgos do Vale. Um Waynwood e um Corbray comc erteza. A mais nova... pode ter sido um Templeton, mas...
(ASOS Catelyn V)
Este é o ramo errado da casa Royce, no entanto, suas filhas todas se casaram com outras famílias nobres, tornando possível que o sangue Stark chegasse, através de casamentos políticos, ao ramo principal da família e Waymar. Sabemos muito pouco sobre a árvore genealógica Royce para além dos membros atuais, nem sabemos o nome ou a casa da esposa de Yohn Royce.
No meu vídeo The Wild Wolves: The Children of Brandon Stark , proponho que Waymar seja realmente um bastardo secreto dos Stark na casa Royce. Há uma quantidade razoável de conexões entre o Lobo Selvagem e Waymar, particularmente sua coragem e sua busca por aventura. Se essa teoria fosse verdadeira, fortaleceria o raciocínio por trás do ataque dos Outros a Waymar, pois ele pode ser um Stark em tudo menos no nome. Você pode imaginar que, enquanto Waymar, Will e Gared estavam andando pela Floresta Assombrada, os Outros seguiam silenciosamente, inspecionando Waymar de longe e ficando excitados por terem encontrado quem procuravam. Talvez eles pudessem sentir o cheiro do sangue do lobo nele.
É minha conclusão que Waymar Royce foi morto pelos Outros por engano, devido às informações incorretas de seu batedor de reconhecimento Stark (Craster). Waymar foi morto por não ser o cara certo. Mas a partir da armadilha e da situação que os Outros criaram, podemos descobrir quem eles esperavam encontrar.

O teste e o ritual

Primeiro, eles montam uma armadilha elaborada usando criaturas para enganar os patrulheiros. A partir disso, podemos concluir que eles esperavam que seu alvo fosse muito cauteloso e inteligente. Caso contrário, eles poderiam simplesmente encontrá-los à noite e se esgueirar para matar. Eles acreditavam que precisavam prender os Stark que estavam caçando.
Segundo, o número de Outros que aparecem. Seis outros aparecem, uma grande quantidade deles para uma disputa que ser espadachins aparentemente experientes. Mais tarde na história, os Outros apenas enviam um para matar pelo menos três membros da Patrulha da Noite, mas Sam o mata com uma adaga de obsidiana. Para Waymar, eles enviam seis. Se você quer alguém para assistir ao duelo, você envia um ou dois extras. Outros cinco implicam que a pessoa que você duelará terá muito sucesso. Você está prevendo que essa pessoa provavelmente matará vários Outros antes que a luta termine. Eles o temem e o respeitam. No entanto, eles descobrem que essas suposições não são verdadeiras. Primeiro, eles verificam a espada de Waymar quando ele a levanta, quase que temendo-a.
Sor Waymar enfrentou o inimigo com bravura.
Neste caso, dance comigo.
Ergueu a espada bem alto, acima da cabeça, desafiador. As mãos tremiam com o peso da arma, ou talvez devido ao frio. Mas naquele momento, pensou Will, Sor Waymar já não era um rapaz, e sim um homem da Patrulha da Noite. O Outro parou. Will viu seus olhos, azuis, mais profundos e mais azuis do que quaisquer olhos humanos, de um azul que queimava como gelo. Will fixou-se na espada que estremecia, erguida, e observou o luar que corria, frio, ao longo do metal. Durante um segundo, atreveu-se a ter esperança.
Quando estão certos de que a espada não está prestes a explodir em chamas como Luminífera, eles seguem em frente e testam suas habilidades com a lâmina.
Então, o golpe de Royce chegou um pouco tarde demais. A espada cristalina trespassou a cota de malha por baixo de seu braço. O jovem senhor gritou de dor. Sangue surgiu por entre os aros, jorrando no ar frio, e as gotas pareciam vermelhas como fogo onde tocavam a neve. Os dedos de Sor Waymar tocaram o flanco. Sua luva de pele de toupeira veio empapada de vermelho.
O Outro disse qualquer coisa numa língua que Will não conhecia; sua voz era como o quebrar do gelo num lago de inverno, e as palavras, escarnecedoras.
(AGOT, Prólogo):
O Outro acerta um golpe, e você quase pode dizer o que ele está dizendo. "Esse cara não deveria ser um lutador incrível?" Então eles executam outro teste
Quando as lâminas se tocaram, o aço despedaçou-se.
Um grito ecoou pela noite da floresta, e a espada quebrou-se numa centena de pedaços, espalhando os estilhaços como uma chuva de agulhas. Royce caiu de joelhos, guinchando, e cobriu os olhos. Sangue jorrou-lhe por entre os dedos.
Os observadores aproximaram-se uns dos outros, como que em resposta a um sinal. Espadas ergueram-se e caíram, tudo num silêncio mortal.
Era um assassinato frio. As lâminas pálidas atravessaram a cota de malha como se fosse seda. Will fechou os olhos. Muito abaixo, ouviu as vozes e os risos, aguçados como pingentes.
(AGOT, Prólogo)
O sinal da morte de Waymar é que sua espada se quebra no frio. Eles esperam que Waymar tenha uma espada que resista a seus ataques frios, pelo menos de aço valiriano. Quando sua espada não o resiste, eles estão convencidos de que Waymar não é quem eles querem e o matam.
Vale a pena prestar muita atenção em quão estranhos esses comportamentos são baseados em como os Outros atacam, como evidenciado mais adiante na história. Em seu ataque ao Punho dos Primeiros Homens, não há Outros à vista, eles usam exclusivamente criaturas. Da mesma forma, eles usam criaturas para expulsar Sam e Gilly do motim na fortaleza de Craster. Quando Sam mata um com sua adaga de obsidiana, apenas um Outro considera uma luta fácil encarar três homens da Patrulha da Noite. Na tentativa de matar Jeor Mormont e Jeremy Rykker, esta missão é dada a duas criaturas sozinhas.
Eles operam como fantasmas, matando nas sombras em sua camuflagem gelada e deixando seus fantoches fazerem seu trabalho sujo. Mas aqui eles abandonam totalmente seu comportamento furtivo. Isso implica que isso foi incrivelmente importante para eles, e a organização parece um ritual ou cerimônia de algum tipo.
Há mais uma coisa em que os Outros têm seus olhos treinados. Depois que Waymar recebe seu ferimento, seu sangue começa a escorrer para a luva e depois sangra abertamente do lado dele. O que está acontecendo até agora pode ser apenas um caso de identificação incorreta de Stark por Craster. Esse detalhe, no entanto, nos dá uma imagem muito diferente. Isso nos diz que eles estão procurando Jon Snow sem saber o nome dele. Deixe-me explicar.
No final de A Dança dos Dragões, Jon é morto por seus irmãos da Patrulha da Noite e sente o frio da morte sobre ele. No programa de TV, Jon é ressuscitado por Melisandre praticamente a mesma pessoa que ele era, com algumas cicatrizes retorcidas. O mesmo vale para Beric Dondarrion, cujos próprios retornos da morte servem como preparação para Jon. Em uma entrevista à Time Magazine, George conta uma história muito diferente sobre como o corpo de Beric funciona.
[…] o pobre Beric Dondarrion, que serviu de prenúncio [foreshadowing] de tudo isso, toda vez que ele é um pouco menos Beric. Suas memórias estão desaparecendo, ele tem todas aquelas cicatrizes, está se tornando cada vez mais hediondo, porque ele não é mais um ser humano vivo. Seu coração não está batendo, seu sangue não está fluindo em suas veias, ele é uma criatura [wight], mas uma criatura animado pelo fogo, e não pelo gelo, e agora estamos voltando a toda essa coisa de fogo e gelo.
Isso é parecido com o que o personagem conhecido como Mãos-Frias diz a Bran, que tem isso a dizer sobre sua própria versão dos mortos-vivos e como seu corpo se saiu.
O cavaleiro olhou as mãos, como se nunca as tivesse notado antes.
Assim que o coração para de bater, o sangue do homem corre para as extremidades, onde engrossa e congela. – Sua voz falhava na garganta, tão fina e fraca como ele. – As mãos e os pés incham e ficam negros como chouriço. O resto dele torna-se branco como leite.
(ADWD, Bran I)
O que estão nos mostrando é que, após a ressurreição, os corpos dessas pessoas estão sendo mantidos em um estado de animação suspensa. Eles não bombeiam mais sangue, raramente precisam de comida ou sono, podem até não envelhecer. Quando o sangue bombeia quente do flanco de Waymar, os Outros podem ver que ele não está morto-vivo, como Jon provavelmente estará nos próximos livros.
Some todos esses indícios. Eles estavam procurando por uma espada que fosse resistente à sua magia, certamente aço valiriano como a espada Garralonga que Jon Snow empunha. Eles querem um jovem de cabelos escuros, longos traços faciais e olhos cinzentos de um Stark. Novamente um sinal fúnebre para Jon Snow. Eles querem alguém cujo sangue não flua mais quente. Isso nos dá um indício de que, no futuro, Jon estará sendo procurado por ele; passada sua morte e ressurreição na Muralha.

Um destino escrito em gelo e fogo

Como poderia ser assim? Como os Outros poderiam saber quem é Jon, como ele é e por que ele é importante para eles? A chave para o mistério é o fato de que os Outros foram feitos pelos Filhos da Floresta, e toda a linguagem simbólica e descritiva ao seu redor indica que eles vêm e extraem poderes dos Bosques. E sabemos o que isso significa: visão verde e sonhos verdes. Ou visão de gelo. Semelhante ao que vemos em personagens como Bran, Jojen, Melisandre, Cara-Malhada e muito mais. Acesso a um mundo de sonhos sem tempo com características altamente simbólicas. Como exemplo, é assim que Jojen interpreta Bran em seus sonhos.
Os olhos de Jojen eram da cor do musgo, e às vezes, quando se fixavam, pareciam estar vendo alguma outra coisa. Como acontecia agora.
Sonhei com um lobo alado preso à terra por correntes de pedra cinza – ele disse. – Era um sonho verde, por isso soube que era verdade. Um corvo estava tentando quebrar suas correntes com bicadas, mas a pedra era dura demais, e seu bico só conseguia arrancar lascas.
(ACOK, Bran IV)
A natureza incerta do mundo dos sonhos verdes torna perfeitamente compreensível como os Outros poderiam confundir Waymar com Jon. Eles podem tê-lo visto apenas em flashes, seu rosto obscurecido, seu nome desconhecido, seu período exato incerto. Lembre-se de quantos problemas os Targaryens, valirians, Melisandre e muitos outros tentaram adivinhar quando o Príncipe prometido chegaria, interpretando a estrela que sangrava e o nascimento em meio a sal e fumaça "criativamente" ao longo de sua história. Os Outros podem estar fazendo a mesma coisa com quem vêem no futuro, e há um sonho em particular que pode aterrorizá-los. O sonho de Jon.
Flechas incendiárias assobiaram para cima, arrastando línguas de fogo. Irmãos espantalhos caíram, seus mantos negros em chamas. Snow, uma águia gritou, enquanto inimigos escalavam o gelo como aranhas. Jon estava com uma armadura de gelo negro, mas sua lâmina queimava vermelha em seu punho. Conforme os mortos chegavam ao topo da Muralha, ele os enviava para baixo, para morrer novamente. Matou um ancião e um garoto imberbe, um gigante, um homem magro com dentes afiados, uma garota com grossos cabelos vermelhos. Tarde demais, reconheceu Ygritte. Ela se foi tão rápido quanto aparecera.
O mundo se dissolveu em uma névoa vermelha. Jon esfaqueava, fatiava e cortava. Atingiu Donal Noye e tirou as vísceras de Dick Surdo Follard. Qhorin Meia-Mão caiu de joelhos, tentando, em vão, estancar o fluxo de sangue do pescoço.
Sou o Senhor de Winterfell – Jon gritou. Robb estava diante dele agora, o cabelo molhado com neve derretida. Garralonga cortou sua cabeça fora.
(ADWD, Jon XII)
Jon vestido com uma armadura de gelo empunhando uma espada flamejante, lutando sozinho contra as hordas de mortos-vivos, matando repetidas vezes sua própria família, entes queridos e irmãos. Essa pessoa seria sem dúvida um problema para os Outros. Ou eles podem ter visto a visão igualmente aterrorizante de Melisandre sobre Jon.
As chamas crepitavam suavemente, e em seu crepitar ela ouviu uma voz sussurrando o nome de Jon Snow. Seu rosto comprido flutuou diante dela, delineado em chamas vermelhas e laranja, aparecendo e desaparecendo novamente, meio escondido atrás de uma cortina esvoaçante. Primeiro ele era um homem, depois um lobo, no fim um homem novamente. Mas as caveiras estavam ali também, as caveiras estavam todas ao redor dele.
(ADWD, Melisandre I)
Jon e Waymar também incorporam traços clássicos do Último Herói, a pessoa que de alguma forma terminou a Longa Noite. Waymar até parece animado quando percebe que os invasores podem ter sido mortos pelos Outros. Conforme a Velha Ama,
[…] o último herói decidiu procurar os filhos da floresta, na esperança de que sua antiga magia pudesse reconquistar aquilo que os exércitos dos homens tinham perdido. Partiu para as terras mortas com uma espada, um cavalo, um cão e uma dúzia de companheiros. Procurou durante anos, até perder a esperança de chegar algum dia a encontrar os filhos da floresta em suas cidades secretas. Um por um os amigos morreram, e também o cavalo, e por fim até o cão, e sua espada congelou tanto que a lâmina se quebrou quando tentou usá-la. E os Outros cheiraram nele o sangue quente e seguiram-lhe o rastro em silêncio, perseguindo-o com matilhas de aranhas brancas, grandes como cães de caça…
(AGOT, Bran IV)
A missão Outros pode ser tão simples quanto garantir que o Último Herói nunca chegue aos Filhos da Floresta novamente, que não haverá salvação para os homens desta vez. Eles também cercaram a caverna de Corvo de Sangue, talvez como mais uma defesa contra o Herói que se aproximava deles. Enquanto os humanos consideram o Último Herói como uma lenda de grandes realizações, para os Outros ele seria o Grande Outro, a versão deles do Rei da Noite. Um demônio que acabou com suas ambições, um monstro com uma espada que os destrói com um toque e é incansável, destemido. Faz sentido que, se pensassem que haviam encontrado essa pessoa, eles trariam um grande número de si mesmos para o duelo. É o medo que os fez ser tão cautelosos com Waymar. Medo de terem encontrado seu verdadeiro inimigo mais uma vez. O demônio da estrela que sangra, um monstro feito de fumaça e sal com uma espada flamejante.
E a pergunta permanece: quando eles finalmente encontrarem essa pessoa, o que farão com ela? Vimos alguém falhar nos testes, que teve uma morte rápida e brutal. E se ocorrer um sucesso? Eles vão matá-lo de novo? Manterão Jon refém? Irão convertê-lo em seu novo rei do inverno? Desfilarão seu corpo eterno na frente de seus exércitos? Ainda podemos descobrir quando os Ventos do Inverno soprarem e o lobo branco finalmente uive.
TL;DR - Waymar foi morto porque Craster o achou muito parecido com um jovem e bem nascido patrulheiro Stark, um perfil que combina com Jon Snow. Os Outros podem até estar procurando especificamente Jon Snow por visões ou sonhos verdes com o mesmo empenho com que o mundo dos vivos está procurando por Azor Ahai e o Príncipe Prometido.
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2020.03.22 21:29 loslan FAKE NEWS (reportado p/ Revista EXAME e Jornal Estadao) - A renomada Universidade Stanford, nos EUA – teria mostrado que o uso associado da hidroxicloroquina e azitromicina teria sido capaz de curar pacientes com coronavírus.

Essa "estória" repercutida e reproduzida como se verdadeira, foi criada por um investidor em blockchain chamado James Todaro... Ah! Mais ainda, o Vale do Silício correu jundo. A WIRED que fornece acesso gratuito e ilimitado a histórias sobre a pandemia de coronavírus revela como um documento do Google compartilhado no Twitter não é o modo como a ciência geralmente é feita...
FONTES - LINKs: ao final do texto
"A CONVERSA SOBRE uma droga promissora para combater o Covid-19 começou, como costuma acontecer (mas na ciência não), no Twitter. Um investidor em blockchain chamado James Todaro twittou que um medicamento contra a malária de 85 anos chamado cloroquina era um tratamento potencial e preventivo contra a doença causada pelo novo coronavírus. Todaro vinculou a um documento do Google que ele havia escrito, explicando a idéia. Embora quase uma dúzia de medicamentos para o tratamento do coronavírus esteja em testes clínicos na China, apenas um - remdesivir, um antiviral que estava em testes contra o Ebola e o MERS do coronavírus - está em testes completos nos EUA. Nada foi aprovado pela Food and Drug Administration. Portanto, um medicamento promissor seria ótimo - e melhor ainda, a cloroquina não é nova. Seu uso remonta à Segunda Guerra Mundial e é derivado da casca da árvore chinchona, como o quinino, um antimalárico de séculos de idade. Isso significa que o medicamento agora é genérico e é relativamente barato. Os médicos entendem bem e podem prescrever o que quiserem, não apenas a malária. O tweet de Todaro recebeu milhares de curtidas. O mundo da engenharia / tecnologia pegou a ideia. O blog de leitura extensiva Stratechery vinculado ao documento do Todaro no Google; Ben Thompson, editor do blog, escreveu que estava "totalmente desqualificado para comentar", mas que as evidências anedóticas favoreciam a idéia. Ecoando o documento, Thompson escreveu que o documento foi escrito em consulta com a Stanford Medical School, a Universidade do Alabama na faculdade de medicina de Birmingham e os pesquisadores da Academia Nacional de Ciências - nada disso é exatamente verdade. (Mais sobre isso daqui a pouco.) Um dos co-autores de Todaro, um advogado chamado Gregory Rigano, foi à Fox News falar sobre o conceito. O CEO da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, twittou sobre isso, citando um vídeo explicativo do YouTubede um médico que vem fazendo uma série de explicadores de coronavírus. Para ser justo, Musk não estava interessado na idéia de não ter mais dados, embora tenha escrito que havia recebido uma dose salva de vida de cloroquina para a malária. É a definição de "grande se verdadeiro". Parte da história do Covid-19, do coronavírus SARS-CoV-2, é que ela é nova . Os seres humanos não têm imunidade a isso. Não há vacina, nenhum medicamento aprovado para tratá-lo. Mas se um medicamento existia - se um medicamento barato e fácil pode evitar as piores complicações que requerem ventilação e às vezes fatais da infecção por coronavírus, ou talvez prevenir essa infecção em primeiro lugar, para que estamos isolando socialmente, como otários? Que se - como diz o ditado - está dando muito trabalho. A pandemia de Covid-19 está causando, razoavelmente, um surto mundial enquanto cientistas e formuladores de políticas correm para encontrar soluções, nem sempre com competência ou eficiência. É o tipo de coisa que irrita a mentalidade de engenheiro-disruptor. Certamente, esse deve ser um problema facilmente resolvido, que é principalmente culpa da burocracia, da regulamentação e de pessoas que não entendem a ciência. E talvez as duas primeiras coisas sejam verdadeiras. A terceira coisa, porém, é onde os riscos se escondem. O Vale do Silício homenageia pessoas que correm em direção a soluções e ignoram problemas; a ciência é projetada para encontrar soluções, identificando esses problemas. As duas abordagens geralmente são incompatíveis . O que aconteceu aqui, especificamente, é que Rigano procurou Todaro. O tweet de Todaro identificou Rigano como afiliado à Johns Hopkins; O perfil de Rigano no LinkedIn diz que ele está de licença de um programa de mestrado em bioinformática e foi consultor de um programa em Stanford chamado SPARK, que faz a descoberta de medicamentos translacionais - encontrando novos usos e pedidos de medicamentos aprovados. "Eu tenho uma experiência muito única na encruzilhada do direito e da ciência", diz Rigano. "Trabalho com grandes empresas farmacêuticas, universidades, biotecnologias e organizações sem fins lucrativos no desenvolvimento de medicamentos e produtos médicos". Ele diz que esses contatos o informaram sobre o uso de cloroquina contra o Covid-19 na China e na Coréia do Sul, então ele começou a ler sobre ele. (Johns Hopkins não retornou uma solicitação de comentário; um porta-voz dos e-mails da Stanford Medical School: “A Stanford Medicine, incluindo a SPARK, não esteve envolvida na criação do documento do Google, e solicitamos que o autor remova todas as referências a Além disso, Gregory Rigano não é consultor da Faculdade de Medicina de Stanford e ninguém em Stanford esteve envolvido no estudo. ”) Acontece que as pessoas lançam cloroquina como antiviral há anos. No início dos anos 90, os pesquisadores o propuseram como um complemento aos medicamentos inibidores da protease precoce para ajudar a tratar o HIV / AIDS. Uma equipe liderada por Stuart Nichol, chefe da Unidade de Patógenos Especiais dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, publicou um artigo em 2005 dizendo que a droga era eficaz contra células primatas infectadas com SARS, o primeiro grande coronavírus respiratório a afetar seres humanos. É um teste in vitro, não animais vivos - apenas células. Nichol não respondeu a um pedido de comentário, mas um porta-voz do CDC enviou um e-mail: “O CDC está ciente de relatos de vários medicamentos sendo administrados para tratamento ou profilaxia para o COVID-19, incluindo aqueles que demonstram atividade in vitro contra o SARS-CoV- 2. Neste momento, é importante garantir que dados clínicos robustos, coletados em ensaios clínicos, sejam obtidos rapidamente, a fim de tomar decisões clínicas informadas sobre o manejo de pacientes com COVID-19. ” Em uma conferência de imprensa da Organização Mundial da Saúde em fevereiro, um repórter do grupo de verificação de fatos Africa Check perguntou se a cloroquina era uma opção. Janet Diaz, chefe de atendimento clínico do Programa de Emergências da Organização Mundial da Saúde, respondeu que a OMS estava priorizando alguns outros medicamentos nos testes junto com o remdesivir e reconheceu que os pesquisadores chineses estavam trabalhando ainda mais. "Para a cloroquina, não há provas de que este seja um tratamento eficaz no momento", disse Diaz. "Recomendamos que a terapêutica seja testada em ensaios clínicos eticamente aprovados para mostrar eficácia e segurança". A cloroquina e uma versão alternativa chamada hidroxicloroquina parecem funcionar contra vírus, inibindo um processo chamado glicosilação, uma transformação química das proteínas na camada externa do vírus que faz parte do processo de infecção. Pesquisadores chineses iniciaram talvez meia dúzia de ensaios randomizados das duas versões em humanos e obtiveram pelo menos alguns dados iniciais promissores. Com esses dados em mente, um pesquisador francês de doenças infecciosas chamado Didier Raoult publicou uma rápida revisão dos estudos in vitro existentes de cloroquina e hidroxicloroquina e (junto com alguns outros pesquisadores ) recomendou não apenas aumentar a pesquisa em humanos, mas também começar a usar os medicamentos clinicamente. (Raoult não retornou um pedido de comentário, mas um publicitário do hospital em que trabalha enviou um link para um vídeo no qual Raoult apresenta dados que ele diz mostrar eficácia em um pequeno grupo de humanos reais. Esses dados não foram publicados ou revisado por pares.) Exceto pelo vídeo, que ainda não havia sido lançado, Rigano montou tudo isso e entrou em contato com Todaro. "Essencialmente, escrevi a publicação com base em minha interface com vários pesquisadores de Stanford e outros, e desenvolvemos esse corpo de evidências e ciência hardcore", diz Rigano. “James, Dr. Todaro, estava fazendo o melhor trabalho, pensei, em qualquer pessoa da mídia, qualquer médico, qualquer agência de notícias, qualquer pessoa no Twitter, ao cobrir o coronavírus. Eu acompanho sua pesquisa em outros itens, como computação descentralizada, há vários anos. ” Todaro, que obteve um MD da Columbia e agora é um investidor de bitcoin, estava interessado o suficiente para colaborar no documento. "Eu adicionei coisas que pertenciam mais ao lado médico das coisas e dei uma sensação mais clínica, acho", diz Todaro. “Algo que a Big Pharma não vai gostar - está amplamente disponível, é bem barato e é algo que pelo menos um milhão de pessoas já está participando. Na verdade, existem muitos aspectos de algo que podem ser lançados rapidamente se os dados clínicos corretos estiverem disponíveis. ” Todaro e Rigano juntos começaram a conversar com Raoult sobre o pequeno estudo que ele estava preparando, e também chamaram um bioquímico aposentado chamado Tom Broker. Ele foi originalmente listado como o primeiro autor do documento do Google, seu nome seguido por "(Stanford)". Foi aí que Broker obteve seu doutorado, em 1972, mas Broker está há anos na Universidade do Alabama, em Birmingham. Sua área de pesquisa é o adenovírus e o papilomavírus humano, que têm DNA como material genético, em oposição ao RNA dentro dos coronavírus. Eles são bem diferentes. Broker diz que não estava envolvido na produção do documento do Google e nunca defenderia o uso de um medicamento sem testes formais. Todaro e Rigano, desde então, removeram o nome dele, a pedido de Broker. “Eu não contribuí, escrevi qualquer parte ou tive conhecimento deste documento do google.com.br. Nunca conduzi pesquisas sobre patógenos do vírus RNA. Não tenho credenciais ou autoridade profissional para sugerir ou recomendar ensaios ou práticas clínicas ”, escreveu Broker em um email. “Aparentemente, fui inserido como autor 'gratuito', uma prática que sempre evitei em meus 53 anos de carreira. Além disso, nunca envolvi nenhuma parte das mídias sociais, privada ou profissionalmente. Todas as minhas publicações científicas são processadas por meio de revisão por pares. Sugiro que você se comunique com um dos autores reais. Questionado sobre a declaração de Broker, Todaro diz que Broker simplesmente não queria se envolver com a atenção que a idéia e o documento estavam recebendo. “Eu não conheço pessoalmente Tom Broker. Minha correspondência foi com o Sr. Rigano ”, diz Todaro. "Quando começamos a receber informações da imprensa, minha impressão foi que o Sr. Broker ficou muito impressionado com isso". Rigano diz que também foi sua impressão. "Dr. Broker é um cientista da mais alta ordem. Ele não está acostumado a esse tipo de atenção da mídia, então nós meio que precisamos continuar sem ele aqui ”, diz Rigano. "Ele não está pronto para a mídia, se tornando uma celebridade." O documento de cloroquina que Todaro e Rigano escreveram espalhou quase - desculpe por isso - viralmente. Mas mesmo que algumas pessoas estejam dizendo que esse é um tratamento, ele ainda não foi submetido a um estudo de controle randomizado em larga escala, o padrão ouro para avaliar se uma intervenção médica como uma droga realmente funciona. Até que isso aconteça, a maioria dos médicos e pesquisadores diria que a cloroquina não pode ser nenhum tipo de bala mágica. “Muitos medicamentos, incluindo cloroquina ou hidroxicloroquina, trabalham nas células do laboratório contra os coronavírus. Foi demonstrado que poucos medicamentos funcionam em um modelo animal ”, diz Matthew Frieman, microbiologista que estuda terapêutica contra os coronavírus na Universidade de Maryland. O que acontece se você colocar os medicamentos em animais? Ninguém sabe ainda. Provavelmente nada de ruim, porque eles são usados há décadas. A ação da cloraquina, diz Frieman, “é conhecida há algum tempo por outros coronavírus, mas nunca se desenvolveu como terapêutica testada em humanos. Há razões para acreditar que isso vai mudar agora, junto com outras terapêuticas que têm eficácia no laboratório. ” Isso ocorre porque o novo coronavírus está incentivando a pesquisa a retomar praticamente qualquer coisa que já tenha mostrado algum efeito sobre os coronavírus, e algumas novas idéias também. Rigano diz que ele e Todaro estão agora realizando seus próprios ensaios clínicos, embora não esteja claro como eles pretendem coletar ou apresentar os dados. Eles esperam que os médicos se inscrevam como sujeitos e depois prescrevam a hidroxicloroquina para si mesmos enquanto tratam pacientes com Covid-19. Quando perguntado sobre o que seria o grupo de controle - médicos que pareciam pacientes que não tomaram o remédio, talvez? --Igano teve algumas idéias. “Você pode usar controles históricos, a taxa de médicos infectados que não usavam hidroxicloroquina regularmente. E se existem médicos que gostariam de participar do estudo que gostariam de não tomar hidroxicloroquina, eles também seriam excelentes controles ”, diz Rigano. “Ético, não queremos que ninguém contrate esse vírus. É realmente um design maravilhoso. ” Rigano diz que está conversando com a equipe de quatro hospitais australianos sobre a realização de um estudo maior e randomizado, depois de um com médicos voluntários. Rigano e Todaro sabem que um documento do Google compartilhado no Twitter não é o modo como a ciência geralmente é feita. Mas eles dizem que não há tempo a perder, que a pandemia está se movendo rápido demais para a ciência tradicional. "Isso levaria meses", diz Todaro. "Eu odiaria apostar em coisas que encontraríamos em meses ou em uma vacina que sai em meados do final de 2021". Eles não são os únicos com essas preocupações, é claro. O modelo mais recente do progresso do Covid-19 do Imperial College London apresenta o pior cenário de pior caso que envolve milhões de mortes, ou distanciamento e proteção social em todo o planeta por mais de um ano. A distância social pode dar aos hospitais uma chance melhor de acomodar e tratar os doentes, mas, com menos força, a doença simplesmente volta. As únicas coisas que mudariam esses resultados são vacinas ou medicamentos." Fonte: WIRED é onde o amanhã é realizado. É a fonte essencial de informações e idéias que fazem sentido para um mundo em constante transformação. - WIRED MAGAZINE LINKs: https://exame.abril.com.bciencia/o-que-e-a-cloroquina-remedio-promissor-contra-o-novo-coronavirus/ https://saude.estadao.com.bnoticias/geral,droga-usada-para-malaria-tem-resultado-positivo-contra-coronavirus,70003240466
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2020.02.07 18:45 EuMesmo00700 Sobre os meios de atuação do Estado

Desde o surgimento do movimento iluminista, caracterizado pelos liberais de emancipação individual e liberdade, muito se foi discutido sobre os poderes e a autoridade do Estado. A maior representação disso são os 3 poderes de Montesquieu, destinados à fragmentar os meios de atuação do Estado, que, sobre as mãos dos déspotas, acabavam por ceifar direitos fundamentais para a existência e desenvolvimento do ser humano.
O fato é que esse conceito remonta desde as antigas cidades-estado gregas, aonde, em domínio dos oligarcas, surgiram conceitos como a democracia destinados à tirar o poder da linha de sucessão dos "maus governantes" e colocá-la à mão do povo por meio de um governo representativo.
Hoje em dia, se analisa como "bom" um sistema político na qual a sociedade na vive refém do seu próprio Estado, não apenas em sistema de votos, mas por representatividade e participação, se possível emparelhamento, da máquina estatal da sociedade. No caso, segue o parâmetro: Sociedade > Sociedade Organizada > Governo & Burocracia > Estado. Teoricamente, dessa forma o nosso grande "papai" (muitas das vezes inimigo) não poderia ser governado por pessoas com más intenções e assim, rumaria ao desenvolvimento e paz.
Porém, como vemos, não é sempre bem assim que acontece. No nosso país, o Brasil, por exemplo, que deveria em tese contar com os 3 poderes para a regulamentação da atuação do Estado, vê-se aparelhado (99% até 2015) por um grupo político que em época de eleição aparentemente demonstra ser contrário entre si (sim, refiro-me ao Foro de São Paulo) cuja atuação no poder durante anos conseguiu fazer justamente o contrário: Estado > Governo & Burocracia > Sociedade Organizada > Sociedade, garantindo 100% do poder nas mãos dos quais mantendo a sociedade refém sobre suas mãos.
É claro que qualquer tentativa ou proposta de concentração de poder deve ser imediatamente rejeitada e questionada a índole de seu idealizador, pois apenas grupos e pessoas políticas mau-intencionadas têm algo a ganhar com isso. Como conservador, desejo que o poder esteja inteiramente sobre os pés das famílias brasileiras, aonde a própria comunidade deve mobilizar-se e cuidar de seus próprios problemas: o princípio da Subsidiariedade. Os inúmeros planos de assistencialismo e engenharia social do governo PT limitaram essas comunidades, que se tornaram dependentes (total ou parcialmente) do Estado, que tudo pode tudo consegue sobre suas vidas.
O enrijecimento do corpo estatal apenas serve para garantir a blindagem e a "legitimidade" (no caso legal, não moral) do Estado no momento de tirar suas liberdades individuais e seu pode de escolha e decisão sobre suas vidas. Isso é algo que não podemos nunca permitir. Um abraço, Conservadores do Brasil.
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2019.06.18 08:03 AntonioMachado [2007] Marcelo Carcanholo e Paulo Nakatani - A Planificação Socialista em Cuba e o grande debate dos anos sessenta

Artigo: http://outubrorevista.com.bwp-content/uploads/2015/02/Revista-Outubro-Edic%CC%A7a%CC%83o-15-Artigo-07.pdf
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2018.08.12 02:27 joseantoniochilo O misterioso túnel descoberto por acidente sob pirâmides no México que nunca será aberto ao público

Aconteceu com o arqueólogo Sergio Gomez, que trabalhava na conservação do Templo de Quetzalcoatl ou Serpente Emplumada, em Teotihuacan, também conhecido como "As pirâmides de Teotihuacán", no centro do México.
Era a temporada de chuvas de 2003 e a tempestade que caiu em uma noite de outubro abriu um buraco no chão.
No dia seguinte, Gómez desceu por aquele buraco com a ajuda de uma corda e trabalhadores da zona arqueológica.
Ele conseguiu ver que, a 14 metros de profundidade, havia um túnel."Eu percebi que era algo muito importante, mas naquele momento eu não tinha muita ideia do alcance da descoberta. Foi com o passar do tempo que compreendemos melhor o uso que teve esse túnel construído pelos teotihuacans há cerca de 2.000 anos", disse ele para a BBC News Mundo.O túnel tinha sido fechado peloas teotihuacans. A exploração para descobri-lo e saber qual era o seu propósito levou anos.

Onde os homens se tornam deuses

A cultura teotihuacan remonta aproximadamente ao ano de 400 a.C., mas seu apogeu foi entre os anos 100 e 550 d.C.Teotihuacán, ou o lugar onde os homens se tornam deuses, chegou a ter uma área de 23 quilômetros quadrados e entre 150 mil e 200 mil habitantes. "Foi a cidade mais populosa que existiu em todo o continente americano na época pré-hispânica durante o período clássico", explica o especialista.Era uma cidade muito cosmopolita, onde viviam pessoas de muitas origens étnicas, atraídas pelo fato de o local oferecer muitas oportunidades.No início, eles se dedicavam à agricultura. Mas depois foram mudando para a produção artesanal e intercâmbio.Segundo os estudos, a região manteve uma relação comercial com praticamente todas as culturas do período clássico da Mesoamérica.

Tlalocan, o caminho sob a terra

A descoberta do túnel ajudou a entender mais sobre a história da cidade, que foi destruída e abandonada provavelmente pelos mesmos teotihuacans e séculos mais tarde foi habitada pelos astecas.O projeto de exploração do túnel foi chamado de Tlalocan, que significa "caminho sob a terra"."Ele se diferenciou pelo uso da tecnologia que não havia sido aplicada em outros projetos", explica o arqueólogo. Entre eles, o uso de scanner a laser e dois robôs.Foi a primeira vez que robôs foram usados ​​em uma exploração arqueológica no México. Antes disso, eles só tinham sido usados ​​no Egito.O túnel estava fechado há pelo menos 1.700 anos. Sua exploração começou em 2009.Com a ajuda dos robôs, descobriu-se que no final do canal havia um grande espaço aberto. Uma espécie de caverna, aberta pelos teotihuacans, que se abre em três câmaras.
Da entrada principal até o final, o túnel tem um comprimento de 103 metros. Começa a uma profundidade de 14 metros e termina a 18 metros.Suas paredes são impregnadas de pirita, um mineral metálico que reflete a luz. Com a ajuda de uma lâmpada, o arqueólogo ensina que esse brilho representava as estrelas.Os teotihuacans usaram o túnel por cerca de 250 anos, segundo o especialista. Depois, eles o fecharam, construindo muros de dentro para fora.Embora a razão não seja conhecida, sabe-se que eles voltaram algumas vezes e a fecharam novamente."Levamos quase 8 anos na exploração. Tudo foi feito com muito cuidado, retiramos cerca de mil toneladas de pedra e terra. Utilizando apenas escovas, agulhas, instrumentos odontológicos", explica Gómez.

Cultura cosmopolita

No túnel, foram descobertos mais de 100 mil objetos. "O importante não é apenas a quantidade, mas que esses objetos nos ajudam a entender melhor a visão de mundo e a religião dos antigos povos mesoamericanos".O arqueólogo reconhece que a fase de interpretação de tudo o que foi encontrado está em seu início, mas diz que já existem descobertas importantes.
"Há evidências de que os teotihuacans tinham laços muito fortes com toda a área maia desde os estágios iniciais. Nós recuperamos peças de jade, conchas e caramujos que vêm da Guatemala."
Além disso, diz ele, foi encontrada turquesa originalmente do sudoeste, onde hoje são os Estados Unidos, e objetos que podem ter vindo de Oaxaca e Puebla."Isso indica que há um elo comercial, provavelmente também político, entre as elites de Teotihuacán e muitos outros lugares".Pela primeira vez em Teotihuacán, pedaços de borracha foram recuperados, incluindo 14 bolas em um nível extraordinário de conservação."Algo muito surpreendente é que algumas dessas peças foram vulcanizadas, um processo que eles conheciam desde então", diz o arqueólogo. A borracha não é originalmente do centro do México, mas foi trazida de lugares como Veracruz, Chiapas ou Tabasco.Gomez conta emocionado que, à medida que avançaram na exploração do túnel, encontravam mais e mais objetos.
"Minha hipótese a princípio é de que encontraríamos um túmulo de alguém muito importante. Pelo significado que tinha o lugar ou uma oferenda espetacular".
Quando o fim do túnel foi alcançado, nenhum túmulo foi encontrado, mas eles não descartam que ele existiu e que os restos mortais foram removidos por uma das últimas explorações de teotihuacans.

Oferenda espetacular

O especialista garante que a maioria dos objetos encontrados não foram usados, mas feitos exclusivamente para serem oferecidos.No final do túnel, nas câmaras, eles encontraram "uma oferenda espetacular". Havia 4 esculturas, das quais três representavam mulheres e uma era homem.
As figuras femininas diferem das masculinas por serem maiores e vestidas, enquanto o homem está nu.
"É uma maneira de nos dizer que, em Teotihuacán, as mulheres desempenhavam um papel muito mais importante não apenas na estrutura do poder, mas talvez também na religião", diz Gómez.As primeiras divindades são femininas, conta. É uma homenagem às mulheres, que eram associadas à fertilidade e à terra."Por outro lado, o culto das divindades masculinas é o culto à guerra. É a mudança do modelo da economia da produção para a economia de apropriação", diz ele.As esculturas traziam bolsas com objetos feitos de jade e pirita, que provavelmente eram usados para magia e adivinhação.
"Eu acho que eles podem ser a representação dos fundadores de Teotihuacán. Os indivíduos que possuem o dom da geomancia e que determinaram onde a cidade deveria ser erguida."
Estavam cercados pelo que poderia ser a representação de montanhas entre as quais havia depressões de mercúrio, que provavelmente representava a água.

Representação do submundo

Na cosmologia da Mesoamérica, o cosmo foi dividido em três regiões: o céu, a terra e o submundo.O submundo é um mundo subterrâneo, escuro, frio e úmido.Mas para os mesoamericanos não era apenas o lugar da morte: era também o lugar da criação, onde tudo surge.Ali habitam uma série de divindades que são responsáveis ​​por manter a ordem do cosmos.Gómez explica que, possivelmente, quando os governantes morriam, seus restos mortais eram levados para a representação do submundo como um sinal de que entregavam o poder.
"Da mesma forma, o novo governante desceu às profundezas para adquirir a investidura. O poder não é adquirido dos homens, mas das divindades do submundo. Dali emergia como uma divindade".
Assim, este túnel era para rituais de iniciação, transmissão de poder. Ali, não entravam pessoas comuns.O Tlalocan é provavelmente um dos lugares mais importantes e sagrados que existiam em toda Teotihuacán, explica ele.

Nunca será aberto ao público

A entrada do túnel é coberta por uma tenda e protegida por uma cerca.Somente entram os trabalhadores do projeto arqueológico e, excepcionalmente, um convidado.Mas o túnel nunca será aberto ao público."É um lugar perigoso. Devemos tomar as medidas necessárias para conservá-lo. É muito estreito e pode ser danificado pela visita maciça de pessoas", explica o arqueólogo.Ele diz que, para que as pessoas possam entender o que é, eles trabalham em uma reprodução virtual.O estudo deste túnel também poderia ajudar a entender qual a função que tem outro túnel que existe abaixo da Pirâmide do Sol, a maior da zona arqueológica. Essa outra passagem foi descoberta em 1972."Mas não sabemos o que havia ali. Não havia um arqueólogo e grande parte da informação se perdeu. Por isso, estudar o túnel descoberto sob o Templo da Serpente Emplumada é muito importante para entender mais sobre Teotihuacán".
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2017.10.30 17:52 fidjudisomada [Pre-Match Thread] UEFA Champions League 2017/18, 4.ª Jornada: Manchester United FC vs. SL Benfica

Manchester United Football Club vs. Sport Lisboa e Benfica

UEFA Champions League 2017/18, 4.ª Jornada

Transmissão

Antevisão

Histórico

Retrospectiva

Na terceira jornada, frente ao SL Benfica, o Manchester United FC alcançou a terceira vitória no Grupo A e pode garantir um lugar nos oitavos-de-final quando reencontrar a equipa de Lisboa, em Old Trafford.
  • Marcus Rashford marcou o tento solitário em Lisboa e deu ao United de José Mourinho uma vantagem de nove pontos sobre o adversário, ao mesmo tempo que lidera com três pontos a mais do que o segundo classificado.
  • O United qualifica-se se vencer e o PFC CSKA Moskva não conseguir derrotar o FC Basel 1893 no outro jogo do grupo, ou se empatar e o CSKA perder.
  • Último classificado, o Benfica contabiliza três derrotas e não conseguirá terminar num dos dois primeiros lugares se perder e o Basileia evitar a derrota, ou então se empatar e o Basileia vencer.

Confrontos anteriores

  • O United levou a melhor em sete dos dez embates já disputados entre os dois clubes nas provas europeias, a começar nos quartos-de-final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1965/66 e sem esquecer o triunfo na final de 1967/68, em Wembley, onde os "red devils" conquistaram o seu primeiro título europeu.
  • O único triunfo do Benfica ante o United, por 2-1, aconteceu já com Luisão na equipa, em Lisboa, em Dezembro de 2005, resultado que ditou a primeira eliminação em fases de grupos desde 1994 da equipa então orientada por Alex Ferguson.
  • O United desforrou-se dessa derrota quando Louis Saha apontou o golo que valeu a vitória por 1-0 em Lisboa em Setembro de 2006. A turma de Manchester recuperou depois de uma desvantagem no marcador para bater o Benfica, por 3-1, no jogo da segunda volta, em Old Trafford, resultado que ditou o afastamento precoce das "águias" dessa edição da prova.
  • As duas equipas voltaram a encontrar-se na fase de grupos de 2011/12, tendo empatado então 1-1 em Lisboa; Ryan Giggs (aos 42 minutos) restabeleceu a igualdade depois de Óscar Cardozo ter aberto o marcador, aos 24 minutos, para o Benfica.
  • Ficou também tudo empatado quando as equipas se defrontaram na segunda volta, no mais recente embate entre ambas, em Manchester. Um golo de Phil Jones na própria baliza e um tento de Pablo Aimar valeram ao Benfica um precioso empate 2-2 na quinta jornada, em Old Trafford, a 22 de Novembro de 2011. Os golos do United nessa partida foram assinados por Dimitar Berbatov e Darren Fletcher.
  • As equipas em Old Trafford, a 22 de Novembro de 2011, foram as seguintes: United: De Gea, Fábio (Smalling 82), Jones, Ferdinand, Evra, Valencia (Hernández 80), Carrick, Fletcher, Young, Nani, Berbatov. Benfica: Artur, Emerson, Luisão (Miguel Vítor 58), Garay, Maxi Pereira, Witsel, Javi García, Bruno César, Aimar (Rúben Amorim 83), Gaitán (Matić 68), Rodrigo.
  • O Benfica, então treinado por Jorge Jesus, terminou no primeiro lugar desse Grupo C em 2011/12; o United acabou em terceiro, atrás do FC Basel 1893 que, curiosamente, também integra o mesmo grupo de "águias" e "red devils" esta temporada.

Retrospectiva

Manchester United
  • O United não perde há 12 jogos em casa frente a equipas portuguesas (V9 E3). O encontro mais recente foi um triunfo por 3-2 sobre o SC Braga na fase de grupos de 2012/13.
  • O United venceu por 4-1 em casa do CSKA Moscovo na segunda jornada, depois de ter batido o Basileia, por 3-0, em Old Trafford, na jornada inaugural do Grupo A.
  • Os "red devils" estão invictos à 19 jogos europeus consecutivos em casa (V15 E4), série que remonta à derrota por 2-1 frente ao Real Madrid CF, na segunda mão dos oitavos-de-final da UEFA Champions League 2012/13. O empate 1-1 com o RC Celta de Vigo, na segunda mão das meias-finais da UEFA Europa League da época passada (resultado total de 2-1), interrompeu a série vitoriosa de seis jogos em casa.
  • Este será o quinto jogo do United nas provas europeias desta temporada, depois de ter começado com uma derrota, por 2-1, frente ao Real Madrid CF, na SuperTaça Europeia da UEFA, em Skopje, a 8 de Agosto. Esse resultado colocou ponto final a uma série de 11 partidas seguidas do United sem perder na Europa (8V 3E) que datava desde o desaire no terreno do Fenerbahçe SK, por 2-1, na quarta jornada da fase de grupos da UEFA Europa League da temporada passada. Essa derrota em Istambul foi a quinta em nove jogos europeus.
  • O desaire ante o Real Madrid constitui o único do United nos últimos 15 jogos nas provas europeias, em casa ou fora (11V 3E).
  • Esta é a 21ª campanha do United na fase de grupos da UEFA Champions League e em apenas quatro ocasiões falhou a passagem à fase seguinte da competição. Duas das vezes em que se viu afastado, contudo, ocorreram nas últimas quatro participações e em duas dessas quatro vezes em que ficou pelo caminho tinha o Benfica no seu grupo.
  • O United completou o rol de troféus europeus na temporada passada com a conquista da UEFA Europa League. O triunfo sobre o AFC Ajax, na final de Estocolmo, permitiu-lhe juntar esse troféu às Taças dos Campeões Europeus conquistadas em 1968, 1999 e 2008 e à Taça dos Vencedores das Taças erguida em 1991.
Benfica
  • As "águias" sofreram a sua maior derrota de sempre na UEFA Champions League ao perderem no terreno do Basileia, por 5-0, na segunda jornada.
  • O Benfica disputou 35 jogos contra clubes ingleses nas competições da UEFA; o seu registo é de 11V 6E 18D (4V 2E 10D em Inglaterra). Para além de ter perdido a final da Taça dos Campeões de 1967/68 para o United, perdeu também a final da UEFA Europa League 2012/13 para outra equipa inglesa, o Chelsea FC (derrota por 1-2 em Amesterdão).
  • A última deslocação das "águias" a Inglaterra terminou com uma vitória por 3-1 sobre o Tottenham Hotspur FC, na primeira mão dos oitavos-de-final da UEFA Europa League 2013/14, tendo-se apurado com um resultado total de 5-3.
  • Vencedor da "dobradinha" em Portugal em 2016/17, o Benfica está na fase de grupos da UEFA Champions League pela 13ª vez na sua história – a oitava consecutiva.
  • O conjunto de Lisboa atingiu os quartos-de-final em 2015/16 e voltou a ultrapassar a fase de grupos na temporada passada, mas ficou-se pelos oitavos-de-final, derrotada por 4-1 no conjunto das duas mãos pelo Borussia Dortmund.
  • Batido por 2-1 em casa pelo PFC CSKA Moskva na primeira jornada, o Benfica, no conjunto dos jogos em casa e fora, venceu apenas um dos sete últimos encontros europeus que disputou – o triunfo por 1-0 sobre o Dortmund, na primeira mão dos oitavos-de-final da época passada – e perdeu os últimos quatro.
  • A derrota na terceira jornada foi a primeira vez que o Benfica somou quatro desaires europeus seguidos. Antes tinha sofrido três consecutivos em quatro ocasiões.
  • Após ter perdido por 4-0 em casa do Dortmund, na segunda mão do já mencionado embate, o Benfica ganhou apenas três dos últimos 14 jogos fora nas provas da UEFA, nos quais contabiliza sete derrotas. Na fase de grupos da época passada somou quatro pontos fora.

Ligações entre jogadores e treinadores

  • Mourinho iniciou a sua carreira de treinador principal no Benfica, em Setembro de 2000, mas não durou mais do que dois meses ao leme do clube. Nas três temporadas seguintes, no comando técnico de UD Leiria e FC Porto, defrontou as "águias" por sete vezes (4V 2E 1D). Essa única derrota aconteceu na final da Taça de Portugal de 2003/04.
  • Victor Lindelöf chegou ao United oriundo do Benfica neste Verão, depois de ter disputado 48 jogos pela equipa principal das "águias" na Liga portuguesa ao longo de cinco anos.
  • Nemanja Matić representou o Benfica entre 2011 e 2014, tendo apontado sete golos em 56 jogos na Liga portuguesa.
  • Ao leme do UD Vilafranquense, Rui Vitória foi derrotado fora por 4-0 pelo FC Porto de Mourinho nos oitavos-de-final da Taça de Portugal 2003/04.
  • Durante o período que passou no Sporting CP, entre 2012 e 2014, Marcos Rojo defrontou por cinco vezes o Benfica (1E 4D). Na Liga portuguesa 2013/14, o internacional argentino apontou o único golo num triunfo por 1-0 sobre o Vitória SC treinado por Rui Vitória.
  • Luisão marcou o golo decisivo da vitória por 4-3 (após prolongamento) do Benfica sobre o Sporting na quarta eliminatória da Taça de Portugal 2013/14, num jogo em que Rojo foi expulso.
  • Zlatan Ibrahimović marcou por duas vezes na vitória por 3-0 do Paris Saint-Germain sobre o Benfica na fase de grupos da UEFA Champions League 2013/14.
  • Haris Seferović foi expulso ao serviço da Suíça numa derrota por 2-1 ante a Bélgica em jogo amigável disputado em Maio de 2016; Romelu Lukaku bisou nessa partida pela selecção belga.
  • Daley Blind marcou a Júlio César quando a Holanda bateu o Brasil, por 3-0, no jogo de atribuição do terceiro lugar do Campeonato do Mundo da FIFA de 2014.
  • Jogaram juntos: Zlatan Ibrahimović e Júlio César (FC Internazionale Milano, 2006–09); David De Gea e Eduardo Salvio (Club Atlético de Madrid, 2009/10); Juan Mata e Jonas (Valencia CF, 2010/11).
  • Colegas nas selecções: Nemanja Matić, Ljubomir Fejsa e Andrija Živković (Sérvia); Sergio Romero, Marcos Rojo e Eduardo Salvio (Argentina)
  • Mourinho foi treinador de Júlio César no Inter entre 2008 e 2010, tendo ambos conquistado a tripla de troféus em 2009/10, incluindo a UEFA Champions League.

Factos do jogo

Manchester United
  • A série do United de 12 jogos sem perder terminou com uma derrota por 2-1 na visita ao Huddersfield Town FC, a 21 de Outubro, a primeira ante os "Terriers" desde 1952.
  • Mourinho nunca ganhou uma partida da Premier League sempre que a sua equipa se viu a perder por duas bolas de desvantagem (E1 D18).
  • O jogo 400 de Mourinho no futebol inglês terminou com uma vitória para o detentor da Taça da Liga, que atingiu os quartos-de-final ao vencer 2-0 no reduto do Swansea City AFC.
  • Jesse Lingard apontou os dois golos no País de Gales, a primeira ocasião que marcou mais que uma vez desde os quatro marcados no empréstimo ao Birmingham City FC frente ao Sheffield Wednesday FC, em Setembro de 2013.
  • O conjunto de Mourinho não sofreu golos em 11 dos últimos 15 jogos de todas as competições.
  • Romelu Lukaku apontou 16 golos em 18 encontros pelo United e pela Bélgica esta temporada, apesar de não ter marcado nos últimos cinco encontros.
  • Os "Red Devils" marcaram quatro golos num jogo em seis ocasiões esta temporada.
  • De Gea é um dos 30 jogadores da lista restrita para a Bola de Ouro. O vencedor será anunciado a 6 de Dezembro.
  • Marouane Fellaini (joelho) não joga pelo United desde a paragem das selecções, em Outubro, enquanto Paul Pogba (tendão da coxa) e Michael Carrick (gémeos) não jogam, respectivamente, desde a primeira jornada e 20 de Setembro. Eric Bailly regressou à competição este sábado, no triunfo por 1-0 sobre o Tottenham Hotspur FC, após debelar uma lesão na virilha.
  • Marcos Rojo e Zlatan Ibrahimović não jogaram pelo United esta temporada devido a lesões nos ligamentos do joelho.
Benfica
  • André Almeida vai cumprir o segundo dos dois jogos de castigo, enquanto Luisão vai falhar o encontro depois de ter sido expulso na terceira jornada.
  • Mile Svilar, 18 anos, tornou-se o mais jovem guarda-redes a actuar na UEFA Champions League ao defrontar o United na terceira jornada, batendo o recorde de Iker Casillas já com 18 anos.
  • Rúben Dias e Diogo Gonçalves também se estrearam na Europa na terceira jornada.
  • A derrota ante os "Red Devils" terminou uma série de 50 jogos em casa a contar para todas as competições, nos quais o Benfica marcou sempre.
  • O Benfica venceu 3-1 na visita ao CD Aves em jogo do campeonato a 22 de Outubro, com Jonas a bisar e Haris Seferović a voltar aos golos depois sete jogos sem marcar pelo clube e selecção.
  • Um tento de Jonas, aos 11 minutos, foi suficiente para o Benfica bater o CD Feirense em casa, na sexta-feira à noite, naquela que constituiu a sua terceira vitória em quatro partidas na Liga portuguesa.
  • Jonas marca há oito jogos seguidos na Liga portuguesa.
  • Jonas tem 12 golos em dez jogos nesta edição do campeonato.

Factos e números da prova

UEFA Champions League: Sabia que?

  • Em 2012/13 o Chelsea tornou-se no primeiro campeão europeu a não ir além da fase de grupos desde o início da UEFA Champions League. (Este registo, assim como outros, inclui as temporadas entre 1999/00 e 2002/03 em que houve duas fases de grupos). Em 1992/93, o Barcelona era detentor da Taça dos Clubes Campeões Europeus e perdeu por 4-3 no conjunto das duas mãos da segunda eliminatória ante o CSKA.
  • Em 2016/17, o Real Madrid tornou-se na primeira equipa a defender com êxito o troféu da UEFA Champions League; o Milan (1989, 1990) tinha sido o último clube a conseguir sagrar-se campeão europeu de clubes em duas épocas consecutivas. Milan (1994, 1995), Ajax (1995, 1996), Juventus (1996, 1997) e Manchester United (2008, 2009) voltaram à final como detentores do troféu, mas perderam os respectivos jogos.
  • O guarda-redes Marco Ballotta, da Lázio, tornou-se no jogador mais velho a participar na UEFA Champions League, ao alinhar na deslocação ao terreno do Real Madrid na 6ª jornada da fase de grupos de 2007/08, com 43 anos de idade e 252 dias. Alessandro Costacurta, do Milan, detém o recorde quanto a jogadores de campo, pois tinha 40 anos e 211 dias quando defrontou o AEK 2006/07.
  • Francesco Totti é o mais velho a ter marcado na prova, aos 38 anos e 59 dias, no empate 1-1 da Roma no terreno do CSKA, a 25 de Novembro de 2014. Ryan Giggs (37 anos e 289 dias) era o anterior detentor da marca.
  • Celestine Babayaro é o mais jovem a ter actuado; tinha 16 anos e 87 dias quando foi titular pelo Anderlecht frente ao Steaua (23/111994). Foi expulso aos 37 minutos.
  • Com 17 anos e 195 dias, Peter Ofori-Quaye é o mais jovem de sempre a ter marcado na UEFA Champions League e fê-lo na vitória do Olympiacos ante o Rosenborg por 5-1 (01/10/1997).
  • Lionel Messi tornou-se no primeiro jogador a marcar cinco golos num jogo no triunfo de 7-1 do Barcelona sobre o Leverkusen, a 7 de Março de 2012, feito igualado por Luiz Adriano, do Shakhtar, que goleou o BATE a 21 de Outubro de 2014, por 7-0. 11 jogadores, incluindo Messi, marcaram quatro tentos num só jogo, mais recentemente Cristiano Ronaldo, do Real Madrid, na 36ª jornada em 2015/16.
  • Cristiano Ronaldo estabeleceu novo recorde na fase de grupos da UEFA Champions League ao marcar 11 golos em 2015/16 - batendo o seu próprio recorde de nove tentos - registo igualado por Luiz Adriano em 2014/15. Zlatan Ibrahimović (2013/14), Ruud van Nistelrooy (2004/05), Filippo Inzaghi e Hernán Crespo (ambos em 2002/03) conseguiram oito remates certeiros.
  • O "hat-trick" de Messi na terceira jornada da fase de grupos de 2016/17 foi o seu sétimo na competição – mais dois do que Ronaldo.
  • O Barcelona terminou como vencedor do respectivo grupo em 18 ocasiões, mais três do que o Real Madrid e quatro relativamente a Manchester United e FC Bayern München.
  • Bayern (entre 2 de Abril de 2013 e 27 de Novembro de 2013) e Real Madrid (entre 23 de Abril de 2014 e 18 de Fevereiro de 2015) detêm o recorde de vitórias seguidas na UEFA Champions League, com dez. O Bayern ultrapassou a anterior marca de nove, estabelecida pelo Barcelona entre 18 de Setembro de 2002 e 18 de Fevereiro de 2003. O Anderlecht soma 12 derrotas consecutivas (entre 10 de Dezembro de 2003 e 23 de Novembro de 2005) e é também recorde da competição.
  • Seis equipas conseguiram seis vitórias seguidas na fase de grupos: Milan (1992/93), Paris Saint-Germain (1994/95), FC Spartak Moskva (1995/96), Barcelona (2002/03, primeira fase de grupos) e Real Madrid (2011/12 e 2014/15).
  • Dezassete equipas não somaram pontos na fase de grupos, mais recentemente o Maccabi Tel-Aviv FC, em 2015/16.
  • O Real Madrid marcou 20 golos na fase de grupos de 2013/14 e igualou o recorde da competição, fixado por Manchester United (1998/99) e Barcelona (2011/12). A equipa da Catalunha marcou 19 tentos na primeira fase de grupos de 1999/2000, número alcançado pelo Real Madrid em 2011/12 e pelo Bayern em 2015/16.
  • Apenas Deportivo (2004/05) e Maccabi Haifa FC (2009/10) não marcaram na fase de grupos.
  • O BATE sofreu 24 golos em 2014/15, novo recorde, que foi igualado pelo Legia Warszawa na quinta jornada em 2016/17. O anterior máximo, 22, pertencia a Dínamo Zagreb (2011/12) e Nordsjælland (2012/13). O Malmö FF sofreu 21 em 2015/16.
  • Nenhuma equipa terminou a fase de grupos da UEFA Champions League sem sofrer golos. Milan (1992/93), Ajax (1995/96), Juventus (1996/97 e 2004/05), Chelsea (2005/06), Liverpool (2005/06), Villarreal (2005/06), Manchester United (2010/11), Mónaco (2014/15) e Paris Saint-Germain (2015/16) sofreram apenas um tento.
  • Antes da vitória por 3-1 sobre o Sporting, na sexta jornada de 2006/07, o Spartak esteve 22 jogos sem vencer, uma marca que o Steaua igualou na sexta jornada de 2013/14.
  • O RSC Anderlecht detém o recorde de mais derrotas consecutivas na prova, desde a fase de grupos até à final, tendo perdido 12 jogos seguidos de Dezembro de 2003 a Novembro de 2005. O GNK Dinamo Zagreb vem logo a seguir com 11 derrotas consecutivas, de Setembro de 2011 a Dezembro de 2012; o desaire da equipa croata na quinta jornada de 2016/17 foi o seu décimo seguido.
  • Seis foi o menor número de pontos com que uma equipa ultrapassou a fase de grupos: o Zenit, em 2013/14 e a AS Roma em 2015/16. Desde que cada vitória passou a valer três pontos, em 1995/96, oito equipas seguiram em frente com sete pontos: Legia (1995/96), Dínamo Kiev (1999/2000), Liverpool (2001/02), Lokomotiv e Juventus, mais tarde finalista (2002/03), Rangers e Bremen (2005/06) e Basileia 1893 (2014/15).
  • O Nápoles não se conseguiu apurar com 12 pontos em 2013/14, o total mais elevado de uma equipa a não ultrapassar a fase de grupos. Dínamo Kiev (1999/2000), Dortmund (2002/03 – ambos na segunda fase de grupos), PSV (2003/04), Olympiacos e Dínamo Kiev (ambos em 2004/05), Bremen (2006/07), Manchester City (2011/12), Chelsea e Cluj (ambos em 2012/13), além de Benfica (2013/14) e FC Porto (2015/16) falharam o acesso aos oitavos-de-final com dez pontos.
  • Apenas duas equipas conquistaram a UEFA Champions League no seu país: Dortmund (1997, final em Munique) e Juventus (1996, final em Roma); o Manchester United FC perdeu a final de 2011 em Londres e, 12 meses volvidos, o FC Bayern München também saiu derrotado no seu estádio, a Fußball Arena München.

Lista de Convocados

  • Guarda-redes: Svilar, Júlio César e Bruno Varela;
  • Defesas: Lisandro, Grimaldo, Douglas, Eliseu, Jardel e Rúben Dias;
  • Médios: Fejsa, Filipe Augusto, Samaris, Živković, Salvio, Pizzi, Cervi, Rafa e Diogo Gonçalves;
  • Avançados: Raúl, Jonas, Gabriel e Seferović.

Boletim Clínico

  • Brevemente

XI Provável

Jiménez
Diogo Živković
Pizzi Fejsa FilipeAugusto
Grimaldo Rúben Jardel(C) Douglas
Svilar

Talking Points

  • Luisão e Almeida estão castigados, abrindo caminho à entrada de Douglas (se recuperar) e Lisandro. Acha que as alternativas estão à altura da tarefa?
  • Que jogador terá que fazer acontecer, superar-se a si próprio e embalar a equipa para a vitória?
  • Que jogador ou aspeto do jogo do adversário constitui-se como a maior ameaça para o SL Benfica?
  • Qual é o seu onze inicial, estrutura e dinâmicas preferidos para este jogo?
  • Qual é a sua previsão sobre o resultado final e os marcadores?
Nota: Este texto foi elaborado recorrendo a informações recolhidas no sítio web da UEFA.
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2016.06.16 22:28 TotalenKrieg Discurso de um grande combatente pela Pátria

"Estes homens, nos tempos de lutas e de crises, tomam as velhas armas da Pátria, e vão, dormindo mal, com marchas terríveis, à neve, à chuva, ao frio, nos calores pesados, combater e morrer longe dos filhos e das mães, sem ventura, esquecidos, para que nós conservemos o nosso descanso Estes homens são o povo, e são os que nos defendem". Acabo de ler um trecho de "O Povo", de Eça de Queiroz. Bom dia a todos. Os meus agradecimentos por me dispensarem uns minutos da vossa atenção. A Constituição da República Portuguesa (CR), apesar de ser a mais extensa que tivemos, desde 1822, não encontrou espaço nos seus 296 artigos e sete revisões, para referir uma única vez a palavra "Nação"- a Nação dos Portugueses. Já relativamente à palavra "Pátria", a Constituição é mais pródiga: invoca-a, nada mais, nada menos, do que uma vez, mais concretamente no seu artigo 276, e cito "A defesa da Pátria é direito e dever fundamental de todos os portugueses"! É sabido que a defesa da Pátria não se faz apenas de armas na mão; essa defesa pode e deve, estender-se a todas as áreas da actividade humana. Mas convém não esquecer que a defesa armada é o último argumento, que se faz em extremo e pode implicar o sacrifício de bens, sangue e vida. E, ao ter-se abandonado o Serviço Militar Obrigatório, parece que a defesa da Pátria – esse dever e direito fundamental, segundo a Constituição, ficou direito de todos e dever só de alguns… A Lei de Defesa Nacional e das Forças Armadas, por sua vez, continua omissa sobre a "Nação", mas já fala duas vezes em Pátria; no seu artigo 9º repete a fórmula da Constituição; e noArt.º 22 afirma peremptoriamente que, "será assegurada de forma permanente a preparação do País, designadamente das Forças Armadas para a defesa da Pátria" (atenção, eu só estou a dizer o que está lá escrito, não confundir com o que se tem feito…). Ora haver Nação sem Pátria é curto; mas haver Pátria sem Nação, é impossível!… Porém, não havendo aparentemente, Nação, o Estado, que é justamente a Nação politicamente organizada, representará, então, quem ou o quê? Ora se o Estado não representar a Nação, não pode sentir a Pátria como sua, tão pouco a entender. Portugal é, todavia, uma Nação coesa, seguramente desde o tempo do esclarecido Rei, o Senhor D. Dinis; com as mais antigas fronteiras estáveis do mundo, mau grado o esbulho pendente de Olivença; formou um Estado Nacional Português, desde o tempo do preclaro Rei, Senhor D. João II e ganhou consciência que era uma Pátria, senão antes, garantidamente, depois de Camões ter escrito os Lusíadas! E Camões – que também foi um combatente - não se esqueceu de, neles, referir a Nação – fê-lo, até, por sete vezes – e não foi avaro em relação à Pátria já que a evoca em 35 ocasiões! E a obra de Luís Vaz – cuja morte neste dia também evocamos - foi-lhe tão superior e transcendente, que ele próprio se enganou ao dizer, pressentindo o fim, que "morria com a Pátria", antevendo a ocupação castelhana. O certo é que, a Nação que já era Pátria, sobreviveu aos 60 anos da Coroa Dual Filipina e passou a viver de vida própria, qual fénix renascida! O que atrás se disse representa, pois, a dissonância existente entre o Estado e a Nação, que é a razão por que nós nos reunimos aqui, desde há cerca de 25 anos, a comemorar o Dia de Portugal, honrando os combatentes, enquanto as figuras que ocupam transitoriamente as cadeiras do Poder – Poder que está hoje, maioritariamente, fora do país – estão sempre noutro lado. E quanto aos combatentes por norma, aos costumes dizem nada. Essa é também a razão pela qual as Forças Armadas só voltaram a integrar as comemorações oficiais do feriado nacional, há 10 anos, depois delas terem estado arredadas cerca de três décadas. E caros compatriotas aqui presentes, não somos nós que estamos mal; "eles" é que se afastaram do trilho certo. Do trilho do Dever, da Honra, do Patriotismo, do amor a Portugal. Esta cerimónia, singela mas muito digna, realizou-se sempre sem se pedir um ceitil que fosse, ao Estado e junto a um monumento, em memória dos combatentes, em que nada se pediu, também, ao Estado – aliás, em várias alturas, teve que ser construído com a oposição desse mesmo Estado. Parece que a frase, entre muitas, célebre, do grande português e militar, que foi o Tenente- Coronel Joaquim Augusto Mouzinho de Albuquerque, de que "Portugal é obra de soldados" passou a estar na moda. Mas estando ou não, na moda, essa frase foi sempre uma realidade, pois sem soldados – isto é, sem combatentes – não haveria território, a tal "nesga de terra debruada de mar", no dizer de Torga; não haveria população; não haveria matriz cultural; não haveria segurança, não haveria Justiça, não haveria Bem-Estar, não haveria liberdade. E quem permitiu e fez isto? Pois foram os soldados, os combatentes, o tal povo, do Eça. Onde se devem individualizar as mães e as mulheres, pois foram elas que sempre aguentaram a retaguarda! Por isso todos nós devemos estar orgulhosos dos nossos combatentes; de quem disse "pronto", quando chegou a hora; quem lutou quando foi preciso lutar; quem não virou a cara aos sacrifícios; quem não desertou do combate ou, pior ainda, quem traiu a terra que lhe serviu de berço, a terra dos seus pais. Porque, desgraçadamente, desses sempre os houve e ainda há. Também deles falam "os Lusíadas" e não há estátuas, nomes de ruas, séries de televisão, condecorações, prémios, branqueamento da História, etc., que possa apagar essa realidade da memória colectiva da Nação. Pelo menos enquanto restar um português com algum saber, vergonha na cara, coluna direita e bem - querer na alma! Caros compatriotas, o combate não terminou com aqueles que hoje homenageamos e desenganem-se aqueles que julgam que não teremos de guerrear, novamente, ou que o terrorismo é apenas uma expressão de lunáticos contemporâneos, já que a sua origem remonta ao século XI, ao "velho da montanha" e à seita dos hashashin e, modernamente, em termos de terrorismo de Estado, à Revolução Francesa de 1789. Temos que nos preparar para os combates do futuro. Os nossos antepassados não andaram a trabalhar, a lutar, a edificar e a expandir o nosso país, desde 1128, para agora estarmos a alienar ao desbarato, a nossa soberania, a nossa nacionalidade, a nossa cultura (onde a língua tem um lugar de destaque), as nossas gentes, o nosso património e a nossa terra. Para ficarmos escravos de dívidas perpétuas e enredados em leis alheias, iberismos serôdios ou federalismos espúrios; sermos, eventualmente, submersos por vagas de estranhos, cujas matrizes culturais não estejamos aptos a integrar, sem perdermos a nossa; e a caminhar para, a breve trecho, não haver um Km2 de território em mãos portuguesas. E, outrossim, por nos estarmos a suicidar colectivamente, por via de excesso de emigração, imigração, leis de naturalização erradas, quebra demográfica gravíssima e corrupção galopante. Finalmente para sermos reféns de organizações sem rosto oficial, de carácter internacionalista e mais ao menos secretas ou discretas, que ninguém elegeu e que transformam, só por si, a Democracia e a Justiça, numa ficção. E em vez das cinco Quinas passarmos a ter como símbolo o "Deus Mamon". Temos de olhar à nossa volta, acordar e reagir! É que, como disse o tão mal citado Fernando Pessoa, "só existem Nações, não existe Humanidade". Caros compatriotas, esta cerimónia destina-se à exaltação da memória dos combatentes, nossos antepassados ou contemporâneos, mas destina-se também, aos que hoje vivem e a quem compete receber e passar o testemunho. Pois deles é o futuro e, por isso, a quem compete reflectir sobre o exemplo dos que caíram ou se sacrificaram no campo, que tem de ser da Honra, enquanto as imperfeições da natureza humana não permitem a erradicação da guerra e outras imoralidades, na eterna luta entre o Bem e o Mal. Devemos, deste modo, curvar-nos, reverentes e obrigados, junto aos nomes daqueles que estão gravados nos muros deste memorial, que combateram nas últimas das centenas de campanhas ultramarinas que realizámos nos últimos seis séculos (não foram seis décadas…), fazendo jus ao Padre António Vieira que um dia disse que "Deus deu aos portugueses um berço estreito para nascer e o mundo inteiro para morrer". Evoco em nome de todos, aquele cujo nome figurou primeiro neste local: o do Subchefe da polícia Aniceto do Rosário, morto em combate, que na iminência de um ataque dos indianos disse ao Governador, "Parta V. Exª descansado que eu não deixarei ficar mal a bandeira portuguesa". E não posso deixar de dizer, com todas as fibras do meu ser, que eles lutaram bem, competente e vitoriosamente, numa guerra justa, em termos humanos e que, infelizmente terminou de forma trágica e não merecida. Nesta luta fizemos frente à maior campanha montada a nível global e mundial, contra a Nação dos Portugueses, desde a Guerra da Restauração. Nela chegámos a manter 230 mil homens em pé de guerra, em quatro continentes e três oceanos, a combater durante 14 anos, em três teatros de operações enormes, distantes entre si e a então Metrópole – que era a base logística principal – por milhares de quilómetros, sem fazer uso de alianças militares e sem generais ou almirantes importados, o que já não sucedia desde Alcácer-Quibir. Usufruindo de uma logística notável – basta comparar com o que se passou com a nossa participação na I Guerra Mundial – que já não conseguíamos montar tão bem, desde que enviámos a terceira Armada, à Índia, comandada pelo João da Nova, em 1501! Abro um parêntesis para destacar a Marinha Mercante, neste esforço logístico, sem a qual não poderíamos ter reagido rapidamente nem sustentado tão longo período de operações. Hoje, dos 70.000 navios mercantes existentes no mundo, apenas uma dezena são de armadores portugueses e ostentam o pavilhão nacional. Nem meio batalhão conseguem transportar… Nesta campanha só não conseguimos resistir à miserável invasão de Goa, Damão e Diu, pela União Indiana, em 1961, pela enorme desproporção de forças em presença e pela usual hipocrisia das relações internacionais. Mesmo assim ainda conseguimos pô-la em sentido durante mais de 10 anos – não foi coisa de somenos. Nova Deli usou o "direito da força" mas nunca teve a força do Direito, nem da Razão! Toda esta acção, a todos os títulos magnífica, não encontra paralelo em nenhuma campanha contemporânea, mas foi apenas corolário daquilo que o escritor americano, James Michener, disse de nós e cito: "Nesses anos quando um soldado português desembarcava de um dos barcos da sua nação para servir num forte de Moçambique, ou em Malaca, ou nos estreitos de Java, já previa, durante o seu tempo de serviço, três cercos, durante os quais comeria erva e beberia urina. Estes defensores portugueses contribuíram para uma das mais corajosas resistências da História do Mundo". A estes se devem juntar todos aqueles e seus descendentes, que desde a tarde de S. Mamede, acompanharam o nosso pai, Afonso Henriques, e têm mantido o seu legado até aos dias de hoje. Lembrar o seu exemplo e preservar a sua memória, é tarefa ingente de todos os bons portugueses, pois tal deixou de ser feito na escola, na generalidade dos "média" e quase desapareceu do discurso político a não ser em frases de circunstância, ditas sem convicção. Em 1582, esse grande patriota que foi Ciprião Figueiredo de Vasconcellos, Governador das Ilhas dos Açores, escreveu ao monarca Habsburgo, que reinava em Madrid e atirou-lhe, "Antes morrer livres que em paz sujeitos" e logo acrescentou, "nem eu darei aos moradores destas ilhas outro conselho, porque um morrer bem é viver perpetuamente". Afirmamos hoje, o mesmo, com Esperança e acrisolada Fé, em que consigamos manter a estamina necessária para preservar a nossa terra, Portugal, livre e independente. Lembro que um combatente só dá baixa para a cova! Caros compatriotas, vou terminar com a melhor homenagem que podemos fazer a quem combateu e, porventura, morreu na defesa da terra dos nossos antepassados, e por tudo o que tal representa, incluindo o de que o seu sacrifício não possa ser considerado em vão. Vamos todos em conjunto e em uníssono, darmos um grande e empolgante viva a Portugal. Viva Portugal. Viva Portugal! Tenente-Coronel Brandão Ferreira
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2016.06.16 22:12 TotalenKrieg Discurso de um combatente pela Pátria - 10 de Junho 2016

"Estes homens, nos tempos de lutas e de crises, tomam as velhas armas da Pátria, e vão, dormindo mal, com marchas terríveis, à neve, à chuva, ao frio, nos calores pesados, combater e morrer longe dos filhos e das mães, sem ventura, esquecidos, para que nós conservemos o nosso descanso Estes homens são o povo, e são os que nos defendem".
Acabo de ler um trecho de "O Povo", de Eça de Queiroz.
Bom dia a todos.
Os meus agradecimentos por me dispensarem uns minutos da vossa atenção.
A Constituição da República Portuguesa (CR), apesar de ser a mais extensa que tivemos, desde 1822, não encontrou espaço nos seus 296 artigos e sete revisões, para referir uma única vez a palavra "Nação"- a Nação dos Portugueses. Já relativamente à palavra "Pátria", a Constituição é mais pródiga: invoca-a, nada mais, nada menos, do que uma vez, mais concretamente no seu artigo 276, e cito "A defesa da Pátria é direito e dever fundamental de todos os portugueses"!
É sabido que a defesa da Pátria não se faz apenas de armas na mão; essa defesa pode e deve, estender-se a todas as áreas da actividade humana. Mas convém não esquecer que a defesa armada é o último argumento, que se faz em extremo e pode implicar o sacrifício de bens, sangue e vida. E, ao ter-se abandonado o Serviço Militar Obrigatório, parece que a defesa da Pátria – esse dever e direito fundamental, segundo a Constituição, ficou direito de todos e dever só de alguns…
A Lei de Defesa Nacional e das Forças Armadas, por sua vez, continua omissa sobre a "Nação", mas já fala duas vezes em Pátria; no seu artigo 9º repete a fórmula da Constituição; e noArt.º 22 afirma peremptoriamente que, "será assegurada de forma permanente a preparação do País, designadamente das Forças Armadas para a defesa da Pátria" (atenção, eu só estou a dizer o que está lá escrito, não confundir com o que se tem feito…).
Ora haver Nação sem Pátria é curto; mas haver Pátria sem Nação, é impossível!… Porém, não havendo aparentemente, Nação, o Estado, que é justamente a Nação politicamente organizada, representará, então, quem ou o quê? Ora se o Estado não representar a Nação, não pode sentir a Pátria como sua, tão pouco a entender. Portugal é, todavia, uma Nação coesa, seguramente desde o tempo do esclarecido Rei, o Senhor D. Dinis; com as mais antigas fronteiras estáveis do mundo, mau grado o esbulho pendente de Olivença; formou um Estado Nacional Português, desde o tempo do preclaro Rei, Senhor D. João II e ganhou consciência que era uma Pátria, senão antes, garantidamente, depois de Camões ter escrito os Lusíadas! E Camões – que também foi um combatente - não se esqueceu de, neles, referir a Nação – fê-lo, até, por sete vezes – e não foi avaro em relação à Pátria já que a evoca em 35 ocasiões! E a obra de Luís Vaz – cuja morte neste dia também evocamos - foi-lhe tão superior e transcendente, que ele próprio se enganou ao dizer, pressentindo o fim, que "morria com a Pátria", antevendo a ocupação castelhana. O certo é que, a Nação que já era Pátria, sobreviveu aos 60 anos da Coroa Dual Filipina e passou a viver de vida própria, qual fénix renascida! O que atrás se disse representa, pois, a dissonância existente entre o Estado e a Nação, que é a razão por que nós nos reunimos aqui, desde há cerca de 25 anos, a comemorar o Dia de Portugal, honrando os combatentes, enquanto as figuras que ocupam transitoriamente as cadeiras do Poder – Poder que está hoje, maioritariamente, fora do país – estão sempre noutro lado. E quanto aos combatentes por norma, aos costumes dizem nada. Essa é também a razão pela qual as Forças Armadas só voltaram a integrar as comemorações oficiais do feriado nacional, há 10 anos, depois delas terem estado arredadas cerca de três décadas.
E caros compatriotas aqui presentes, não somos nós que estamos mal; "eles" é que se afastaram do trilho certo. Do trilho do Dever, da Honra, do Patriotismo, do amor a Portugal.
Esta cerimónia, singela mas muito digna, realizou-se sempre sem se pedir um ceitil que fosse, ao Estado e junto a um monumento, em memória dos combatentes, em que nada se pediu, também, ao Estado – aliás, em várias alturas, teve que ser construído com a oposição desse mesmo Estado. Parece que a frase, entre muitas, célebre, do grande português e militar, que foi o Tenente- Coronel Joaquim Augusto Mouzinho de Albuquerque, de que "Portugal é obra de soldados" passou a estar na moda. Mas estando ou não, na moda, essa frase foi sempre uma realidade, pois sem soldados – isto é, sem combatentes – não haveria território, a tal "nesga de terra debruada de mar", no dizer de Torga; não haveria população; não haveria matriz cultural; não haveria segurança, não haveria Justiça, não haveria Bem-Estar, não haveria liberdade.
E quem permitiu e fez isto? Pois foram os soldados, os combatentes, o tal povo, do Eça. Onde se devem individualizar as mães e as mulheres, pois foram elas que sempre aguentaram a retaguarda! Por isso todos nós devemos estar orgulhosos dos nossos combatentes; de quem disse "pronto", quando chegou a hora; quem lutou quando foi preciso lutar; quem não virou a cara aos sacrifícios; quem não desertou do combate ou, pior ainda, quem traiu a terra que lhe serviu de berço, a terra dos seus pais.
Porque, desgraçadamente, desses sempre os houve e ainda há. Também deles falam "os Lusíadas" e não há estátuas, nomes de ruas, séries de televisão, condecorações, prémios, branqueamento da História, etc., que possa apagar essa realidade da memória colectiva da Nação. Pelo menos enquanto restar um português com algum saber, vergonha na cara, coluna direita e bem - querer na alma! Caros compatriotas, o combate não terminou com aqueles que hoje homenageamos e desenganem-se aqueles que julgam que não teremos de guerrear, novamente, ou que o terrorismo é apenas uma expressão de lunáticos contemporâneos, já que a sua origem remonta ao século XI, ao "velho da montanha" e à seita dos hashashin e, modernamente, em termos de terrorismo de Estado, à Revolução Francesa de 1789. Temos que nos preparar para os combates do futuro.
Os nossos antepassados não andaram a trabalhar, a lutar, a edificar e a expandir o nosso país, desde 1128, para agora estarmos a alienar ao desbarato, a nossa soberania, a nossa nacionalidade, a nossa cultura (onde a língua tem um lugar de destaque), as nossas gentes, o nosso património e a nossa terra.
Para ficarmos escravos de dívidas perpétuas e enredados em leis alheias, iberismos serôdios ou federalismos espúrios; sermos, eventualmente, submersos por vagas de estranhos, cujas matrizes culturais não estejamos aptos a integrar, sem perdermos a nossa; e a caminhar para, a breve trecho, não haver um Km2 de território em mãos portuguesas. E, outrossim, por nos estarmos a suicidar colectivamente, por via de excesso de emigração, imigração, leis de naturalização erradas, quebra demográfica gravíssima e corrupção galopante.
Finalmente para sermos reféns de organizações sem rosto oficial, de carácter internacionalista e mais ao menos secretas ou discretas, que ninguém elegeu e que transformam, só por si, a Democracia e a Justiça, numa ficção. E em vez das cinco Quinas passarmos a ter como símbolo o "Deus Mamon". Temos de olhar à nossa volta, acordar e reagir! É que, como disse o tão mal citado Fernando Pessoa, "só existem Nações, não existe Humanidade". Caros compatriotas, esta cerimónia destina-se à exaltação da memória dos combatentes, nossos antepassados ou contemporâneos, mas destina-se também, aos que hoje vivem e a quem compete receber e passar o testemunho.
Pois deles é o futuro e, por isso, a quem compete reflectir sobre o exemplo dos que caíram ou se sacrificaram no campo, que tem de ser da Honra, enquanto as imperfeições da natureza humana não permitem a erradicação da guerra e outras imoralidades, na eterna luta entre o Bem e o Mal. Devemos, deste modo, curvar-nos, reverentes e obrigados, junto aos nomes daqueles que estão gravados nos muros deste memorial, que combateram nas últimas das centenas de campanhas ultramarinas que realizámos nos últimos seis séculos (não foram seis décadas…), fazendo jus ao Padre António Vieira que um dia disse que "Deus deu aos portugueses um berço estreito para nascer e o mundo inteiro para morrer". Evoco em nome de todos, aquele cujo nome figurou primeiro neste local: o do Subchefe da polícia Aniceto do Rosário, morto em combate, que na iminência de um ataque dos indianos disse ao Governador, "Parta V. Exª descansado que eu não deixarei ficar mal a bandeira portuguesa". E não posso deixar de dizer, com todas as fibras do meu ser, que eles lutaram bem, competente e vitoriosamente, numa guerra justa, em termos humanos e que, infelizmente terminou de forma trágica e não merecida. Nesta luta fizemos frente à maior campanha montada a nível global e mundial, contra a Nação dos Portugueses, desde a Guerra da Restauração. Nela chegámos a manter 230 mil homens em pé de guerra, em quatro continentes e três oceanos, a combater durante 14 anos, em três teatros de operações enormes, distantes entre si e a então Metrópole – que era a base logística principal – por milhares de quilómetros, sem fazer uso de alianças militares e sem generais ou almirantes importados, o que já não sucedia desde Alcácer-Quibir.
Usufruindo de uma logística notável – basta comparar com o que se passou com a nossa participação na I Guerra Mundial – que já não conseguíamos montar tão bem, desde que enviámos a terceira Armada, à Índia, comandada pelo João da Nova, em 1501! Abro um parêntesis para destacar a Marinha Mercante, neste esforço logístico, sem a qual não poderíamos ter reagido rapidamente nem sustentado tão longo período de operações. Hoje, dos 70.000 navios mercantes existentes no mundo, apenas uma dezena são de armadores portugueses e ostentam o pavilhão nacional. Nem meio batalhão conseguem transportar… Nesta campanha só não conseguimos resistir à miserável invasão de Goa, Damão e Diu, pela União Indiana, em 1961, pela enorme desproporção de forças em presença e pela usual hipocrisia das relações internacionais. Mesmo assim ainda conseguimos pô-la em sentido durante mais de 10 anos – não foi coisa de somenos. Nova Deli usou o "direito da força" mas nunca teve a força do Direito, nem da Razão!
Toda esta acção, a todos os títulos magnífica, não encontra paralelo em nenhuma campanha contemporânea, mas foi apenas corolário daquilo que o escritor americano, James Michener, disse de nós e cito: "Nesses anos quando um soldado português desembarcava de um dos barcos da sua nação para servir num forte de Moçambique, ou em Malaca, ou nos estreitos de Java, já previa, durante o seu tempo de serviço, três cercos, durante os quais comeria erva e beberia urina. Estes defensores portugueses contribuíram para uma das mais corajosas resistências da História do Mundo".
A estes se devem juntar todos aqueles e seus descendentes, que desde a tarde de S. Mamede, acompanharam o nosso pai, Afonso Henriques, e têm mantido o seu legado até aos dias de hoje. Lembrar o seu exemplo e preservar a sua memória, é tarefa ingente de todos os bons portugueses, pois tal deixou de ser feito na escola, na generalidade dos "média" e quase desapareceu do discurso político a não ser em frases de circunstância, ditas sem convicção. Em 1582, esse grande patriota que foi Ciprião Figueiredo de Vasconcellos, Governador das Ilhas dos Açores, escreveu ao monarca Habsburgo, que reinava em Madrid e atirou-lhe, "Antes morrer livres que em paz sujeitos" e logo acrescentou, "nem eu darei aos moradores destas ilhas outro conselho, porque um morrer bem é viver perpetuamente". Afirmamos hoje, o mesmo, com Esperança e acrisolada Fé, em que consigamos manter a estamina necessária para preservar a nossa terra, Portugal, livre e independente. Lembro que um combatente só dá baixa para a cova! Caros compatriotas, vou terminar com a melhor homenagem que podemos fazer a quem combateu e, porventura, morreu na defesa da terra dos nossos antepassados, e por tudo o que tal representa, incluindo o de que o seu sacrifício não possa ser considerado em vão.
Vamos todos em conjunto e em uníssono, darmos um grande e empolgante viva a Portugal.
Viva Portugal.
Viva Portugal!
Tenente-Coronel Brandão Ferreira
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2016.06.16 20:02 TotalenKrieg Discurso de um grande combatente pela Pátria - 10 de Junho 2016

"Estes homens, nos tempos de lutas e de crises, tomam as velhas armas da Pátria, e vão, dormindo mal, com marchas terríveis, à neve, à chuva, ao frio, nos calores pesados, combater e morrer longe dos filhos e das mães, sem ventura, esquecidos, para que nós conservemos o nosso descanso Estes homens são o povo, e são os que nos defendem".
Acabo de ler um trecho de "O Povo", de Eça de Queiroz.
Bom dia a todos.
Os meus agradecimentos por me dispensarem uns minutos da vossa atenção.
A Constituição da República Portuguesa (CR), apesar de ser a mais extensa que tivemos, desde 1822, não encontrou espaço nos seus 296 artigos e sete revisões, para referir uma única vez a palavra "Nação"- a Nação dos Portugueses.
Já relativamente à palavra "Pátria", a Constituição é mais pródiga: invoca-a, nada mais, nada menos, do que uma vez, mais concretamente no seu artigo 276, e cito "A defesa da Pátria é direito e dever fundamental de todos os portugueses"!
É sabido que a defesa da Pátria não se faz apenas de armas na mão; essa defesa pode e deve, estender-se a todas as áreas da actividade humana.
Mas convém não esquecer que a defesa armada é o último argumento, que se faz em extremo e pode implicar o sacrifício de bens, sangue e vida. E, ao ter-se abandonado o Serviço Militar Obrigatório, parece que a defesa da Pátria – esse dever e direito fundamental, segundo a Constituição, ficou direito de todos e dever só de alguns…
A Lei de Defesa Nacional e das Forças Armadas, por sua vez, continua omissa sobre a "Nação", mas já fala duas vezes em Pátria; no seu artigo 9º repete a fórmula da Constituição; e noArt.º 22 afirma peremptoriamente que, "será assegurada de forma permanente a preparação do País, designadamente das Forças Armadas para a defesa da Pátria" (atenção, eu só estou a dizer o que está lá escrito, não confundir com o que se tem feito…).
Ora haver Nação sem Pátria é curto; mas haver Pátria sem Nação, é impossível!…
Porém, não havendo aparentemente, Nação, o Estado, que é justamente a Nação politicamente organizada, representará, então, quem ou o quê?
Ora se o Estado não representar a Nação, não pode sentir a Pátria como sua, tão pouco a entender. Portugal é, todavia, uma Nação coesa, seguramente desde o tempo do esclarecido Rei, o Senhor D. Dinis; com as mais antigas fronteiras estáveis do mundo, mau grado o esbulho pendente de Olivença; formou um Estado Nacional Português, desde o tempo do preclaro Rei, Senhor D. João II e ganhou consciência que era uma Pátria, senão antes, garantidamente, depois de Camões ter escrito os Lusíadas!
E Camões – que também foi um combatente - não se esqueceu de, neles, referir a Nação – fê-lo, até, por sete vezes – e não foi avaro em relação à Pátria já que a evoca em 35 ocasiões!
E a obra de Luís Vaz – cuja morte neste dia também evocamos - foi-lhe tão superior e transcendente, que ele próprio se enganou ao dizer, pressentindo o fim, que "morria com a Pátria", antevendo a ocupação castelhana.
O certo é que, a Nação que já era Pátria, sobreviveu aos 60 anos da Coroa Dual Filipina e passou a viver de vida própria, qual fénix renascida!
O que atrás se disse representa, pois, a dissonância existente entre o Estado e a Nação, que é a razão por que nós nos reunimos aqui, desde há cerca de 25 anos, a comemorar o Dia de Portugal, honrando os combatentes, enquanto as figuras que ocupam transitoriamente as cadeiras do Poder – Poder que está hoje, maioritariamente, fora do país – estão sempre noutro lado. E quanto aos combatentes por norma, aos costumes dizem nada.
Essa é também a razão pela qual as Forças Armadas só voltaram a integrar as comemorações oficiais do feriado nacional, há 10 anos, depois delas terem estado arredadas cerca de três décadas.
E caros compatriotas aqui presentes, não somos nós que estamos mal; "eles" é que se afastaram do trilho certo. Do trilho do Dever, da Honra, do Patriotismo, do amor a Portugal.
Esta cerimónia, singela mas muito digna, realizou-se sempre sem se pedir um ceitil que fosse, ao Estado e junto a um monumento, em memória dos combatentes, em que nada se pediu, também, ao Estado – aliás, em várias alturas, teve que ser construído com a oposição desse mesmo Estado.
Parece que a frase, entre muitas, célebre, do grande português e militar, que foi o Tenente- Coronel Joaquim Augusto Mouzinho de Albuquerque, de que "Portugal é obra de soldados" passou a estar na moda.
Mas estando ou não, na moda, essa frase foi sempre uma realidade, pois sem soldados – isto é, sem combatentes – não haveria território, a tal "nesga de terra debruada de mar", no dizer de Torga; não haveria população; não haveria matriz cultural; não haveria segurança, não haveria Justiça, não haveria Bem-Estar, não haveria liberdade.
E quem permitiu e fez isto? Pois foram os soldados, os combatentes, o tal povo, do Eça. Onde se devem individualizar as mães e as mulheres, pois foram elas que sempre aguentaram a retaguarda!
Por isso todos nós devemos estar orgulhosos dos nossos combatentes; de quem disse "pronto", quando chegou a hora; quem lutou quando foi preciso lutar; quem não virou a cara aos sacrifícios; quem não desertou do combate ou, pior ainda, quem traiu a terra que lhe serviu de berço, a terra dos seus pais.
Porque, desgraçadamente, desses sempre os houve e ainda há.
Também deles falam "os Lusíadas" e não há estátuas, nomes de ruas, séries de televisão, condecorações, prémios, branqueamento da História, etc., que possa apagar essa realidade da memória colectiva da Nação.
Pelo menos enquanto restar um português com algum saber, vergonha na cara, coluna direita e bem - querer na alma!
Caros compatriotas, o combate não terminou com aqueles que hoje homenageamos e desenganem-se aqueles que julgam que não teremos de guerrear, novamente, ou que o terrorismo é apenas uma expressão de lunáticos contemporâneos, já que a sua origem remonta ao século XI, ao "velho da montanha" e à seita dos hashashin e, modernamente, em termos de terrorismo de Estado, à Revolução Francesa de 1789.
Temos que nos preparar para os combates do futuro.
Os nossos antepassados não andaram a trabalhar, a lutar, a edificar e a expandir o nosso país, desde 1128, para agora estarmos a alienar ao desbarato, a nossa soberania, a nossa nacionalidade, a nossa cultura (onde a língua tem um lugar de destaque), as nossas gentes, o nosso património e a nossa terra.
Para ficarmos escravos de dívidas perpétuas e enredados em leis alheias, iberismos serôdios ou federalismos espúrios; sermos, eventualmente, submersos por vagas de estranhos, cujas matrizes culturais não estejamos aptos a integrar, sem perdermos a nossa; e a caminhar para, a breve trecho, não haver um Km2 de território em mãos portuguesas.
E, outrossim, por nos estarmos a suicidar colectivamente, por via de excesso de emigração, imigração, leis de naturalização erradas, quebra demográfica gravíssima e corrupção galopante.
Finalmente para sermos reféns de organizações sem rosto oficial, de carácter internacionalista e mais ao menos secretas ou discretas, que ninguém elegeu e que transformam, só por si, a Democracia e a Justiça, numa ficção.
E em vez das cinco Quinas passarmos a ter como símbolo o "Deus Mamon".
Temos de olhar à nossa volta, acordar e reagir! É que, como disse o tão mal citado Fernando Pessoa, "só existem Nações, não existe Humanidade".
Caros compatriotas, esta cerimónia destina-se à exaltação da memória dos combatentes, nossos antepassados ou contemporâneos, mas destina-se também, aos que hoje vivem e a quem compete receber e passar o testemunho.
Pois deles é o futuro e, por isso, a quem compete reflectir sobre o exemplo dos que caíram ou se sacrificaram no campo, que tem de ser da Honra, enquanto as imperfeições da natureza humana não permitem a erradicação da guerra e outras imoralidades, na eterna luta entre o Bem e o Mal.
Devemos, deste modo, curvar-nos, reverentes e obrigados, junto aos nomes daqueles que estão gravados nos muros deste memorial, que combateram nas últimas das centenas de campanhas ultramarinas que realizámos nos últimos seis séculos (não foram seis décadas…), fazendo jus ao Padre António Vieira que um dia disse que "Deus deu aos portugueses um berço estreito para nascer e o mundo inteiro para morrer".
Evoco em nome de todos, aquele cujo nome figurou primeiro neste local: o do Subchefe da polícia Aniceto do Rosário, morto em combate, que na iminência de um ataque dos indianos disse ao Governador, "Parta V. Exª descansado que eu não deixarei ficar mal a bandeira portuguesa".
E não posso deixar de dizer, com todas as fibras do meu ser, que eles lutaram bem, competente e vitoriosamente, numa guerra justa, em termos humanos e que, infelizmente terminou de forma trágica e não merecida.
Nesta luta fizemos frente à maior campanha montada a nível global e mundial, contra a Nação dos Portugueses, desde a Guerra da Restauração.
Nela chegámos a manter 230 mil homens em pé de guerra, em quatro continentes e três oceanos, a combater durante 14 anos, em três teatros de operações enormes, distantes entre si e a então Metrópole – que era a base logística principal – por milhares de quilómetros, sem fazer uso de alianças militares e sem generais ou almirantes importados, o que já não sucedia desde Alcácer-Quibir.
Usufruindo de uma logística notável – basta comparar com o que se passou com a nossa participação na I Guerra Mundial – que já não conseguíamos montar tão bem, desde que enviámos a terceira Armada, à Índia, comandada pelo João da Nova, em 1501! Abro um parêntesis para destacar a Marinha Mercante, neste esforço logístico, sem a qual não poderíamos ter reagido rapidamente nem sustentado tão longo período de operações.
Hoje, dos 70.000 navios mercantes existentes no mundo, apenas uma dezena são de armadores portugueses e ostentam o pavilhão nacional. Nem meio batalhão conseguem transportar…
Nesta campanha só não conseguimos resistir à miserável invasão de Goa, Damão e Diu, pela União Indiana, em 1961, pela enorme desproporção de forças em presença e pela usual hipocrisia das relações internacionais. Mesmo assim ainda conseguimos pô-la em sentido durante mais de 10 anos – não foi coisa de somenos.
Nova Deli usou o "direito da força" mas nunca teve a força do Direito, nem da Razão!
Toda esta acção, a todos os títulos magnífica, não encontra paralelo em nenhuma campanha contemporânea, mas foi apenas corolário daquilo que o escritor americano, James Michener, disse de nós e cito: "Nesses anos quando um soldado português desembarcava de um dos barcos da sua nação para servir num forte de Moçambique, ou em Malaca, ou nos estreitos de Java, já previa, durante o seu tempo de serviço, três cercos, durante os quais comeria erva e beberia urina. Estes defensores portugueses contribuíram para uma das mais corajosas resistências da História do Mundo".
A estes se devem juntar todos aqueles e seus descendentes, que desde a tarde de S. Mamede, acompanharam o nosso pai, Afonso Henriques, e têm mantido o seu legado até aos dias de hoje.
Lembrar o seu exemplo e preservar a sua memória, é tarefa ingente de todos os bons portugueses, pois tal deixou de ser feito na escola, na generalidade dos "média" e quase desapareceu do discurso político a não ser em frases de circunstância, ditas sem convicção.
Em 1582, esse grande patriota que foi Ciprião Figueiredo de Vasconcellos, Governador das Ilhas dos Açores, escreveu ao monarca Habsburgo, que reinava em Madrid e atirou-lhe, "Antes morrer livres que em paz sujeitos" e logo acrescentou, "nem eu darei aos moradores destas ilhas outro conselho, porque um morrer bem é viver perpetuamente".
Afirmamos hoje, o mesmo, com Esperança e acrisolada Fé, em que consigamos manter a estamina necessária para preservar a nossa terra, Portugal, livre e independente.
Lembro que um combatente só dá baixa para a cova!
Caros compatriotas, vou terminar com a melhor homenagem que podemos fazer a quem combateu e, porventura, morreu na defesa da terra dos nossos antepassados, e por tudo o que tal representa, incluindo o de que o seu sacrifício não possa ser considerado em vão.
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7 MARAVILHAS - LENÇOS DE NAMORADOS 5 VEZES QUE O MC OUSOU NA RESPOSTA 5 VEZES QUE O MC OUSOU NA RESPOSTA #2 10 vezes que o VALENTÃO SE DEU MAL 17 VEZES QUE A DETONA GAMING PROVOU SER O MELHOR TIME DO CS:GO BR Liniker e os Caramelows - Remonta - YouTube

Consulte o significado / definição de REMOTA no Dicionário ...

  1. 7 MARAVILHAS - LENÇOS DE NAMORADOS
  2. 5 VEZES QUE O MC OUSOU NA RESPOSTA
  3. 5 VEZES QUE O MC OUSOU NA RESPOSTA #2
  4. 10 vezes que o VALENTÃO SE DEU MAL
  5. 17 VEZES QUE A DETONA GAMING PROVOU SER O MELHOR TIME DO CS:GO BR
  6. Liniker e os Caramelows - Remonta - YouTube

7 MARAVILHAS DA CULTURA POPULAR Acha que os Lenços de Namorados são uma das maravilhas da cultura popular? Para votar basta ligar o 760 207 825. Vote, partilhe este vídeo e ajude-nos a ... 5 VEZES QUE O MC OUSOU NA RESPOSTA #2. Loading... Autoplay When autoplay is enabled, a suggested video will automatically play next. Up next Liniker e os Caramelows - Remonta Como se não bastasse a guerra também de te ver todo dia, meu bem Tem o dissabor dessa ferida, tem, que germina na pele e in... 18 VEZES QUE A NARRAÇÃO DO GAULES PROVOU SER A MAIS ENGRAÇADA DO CS:GO - Duration: 10:22. Burn - CS:GO 526,993 views. 10:22. DETONA GAMING no DESAFIO de FUTEBOL (time profissional de CSGO) - ... 50+ videos Play all Mix - 5 VEZES QUE O MC OUSOU NA RESPOSTA YouTube TERCEIRO ROUNDS QUE VOCÊ NÃO SE ARREPENDEU DE TER VISTO *pegou fogo - Duration: 11:21. FlowBR HD 151,619 views 10 vezes que o MARRENTO SE DEU MAL - Duration: 12:20. RAP SEM COR 858,590 views. 12:20. 10 vezes que o MC saiu CHATEADO 😔 - Duration: 14:42. RAP SEM COR 782,474 views. 14:42.